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Devocional

A Glória Do Cristão

Por Fábio Amaro

01 de janeiro de 2026

A Glória Do Cristão

Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

Vivemos em uma geração que busca glória em títulos, conquistas, status, seguidores e aparências. O mundo ensina que o valor do homem está no que ele possui, no que ele faz ou no que os outros pensam a seu respeito.

Porém, o apóstolo Paulo, escrevendo aos gálatas, rompe violentamente com essa lógica e declara algo escandaloso para sua época e ofensivo ainda hoje: a cruz, símbolo de vergonha, dor e morte, é a sua única glória.

Paulo não diz que a cruz é apenas importante, nem que é uma parte da fé cristã. Ele afirma que tudo o mais perde valor diante dela. Aqui somos confrontados com uma pergunta inevitável: em que temos nos gloriado?

O sofrimento e a humildade de Cristo redefinem completamente o objeto da nossa glória, a nossa relação com o mundo e a nossa identidade espiritual. Toda glória que não procede do sacrifício, do serviço e da humildade de Cristo, é passageira e espiritualmente perigosa.

O apóstolo Paulo rejeita toda glória que vem do homem. Paulo disse: "Mas longe esteja de mim gloriar-me (...)” (Gl 6:14a – ACF). 

Paulo usa uma expressão forte, quase um juramento. Ele afasta com veemência qualquer outra fonte de vanglória: obras da lei, tradição judaica, reputação ministerial ou realizações pessoais. Paulo tinha motivos humanos para se gloriar (Fp 3:4-6), mas considerou tudo como perda por causa de Cristo. Ele compreendeu que a autoglorificação é incompatível com o evangelho de Cristo.

O orgulho religioso é tão perigoso quanto o pecado escancarado. Gloriar-se em ministério, dons ou moralidade é negar silenciosamente a suficiência da graça de Deus. Um troféu pode brilhar numa estante, mas não pode salvar ninguém. Da mesma forma, nossas conquistas impressionam homens, mas são inúteis diante de Deus. Toda glória humana é pó quando colocada à sombra da obra de Cristo.

A mensagem da cruz não é um mero acessório da fé, é o eixo central. Nela se encontram a justiça e o amor de Deus, para a salvação do homem (Rm 3:24-26). Uma fé que remove o que a cruz representa no escopo da verdade, para agradar o mundo, perde seu poder. Igrejas que substituem a cruz por entretenimento perdem o evangelho. Onde a cruz não é central, Cristo não é Senhor.

A cruz revela quem Cristo é: Senhor. Se Ele é Senhor, então nossa identidade não está no mundo, mas n'Ele (Cl 2:9-10). O mundo mede valor por desempenho; Deus mede por redenção. A cruz nos lembra que somos aceitos, não por mérito, mas por graça. Na cruz, Deus não nos deu valor, nos revelou o valor que já tínhamos para ELE.

Quem se gloria na cruz de Cristo experimenta uma separação irreversível do sistema deste mundo. O mundo está crucificado para o cristão verdadeiro. O “mundo” aqui é o sistema rebelde contra Deus (1 Jo 2:15-16). Para Paulo, ele perdeu atração, poder e domínio. A cruz mata o fascínio do mundo antes que o mundo mate a fé.

Agora o mundo vê o verdadeiro cristão como alguém estranho, morto para seus valores (Jo 15:18-19). Ser rejeitado pelo mundo é sinal de fidelidade, não de fracasso. Quando morremos para o mundo, começamos finalmente a viver para Deus.

A mensagem da cruz não apenas nos liberta, mas molda quem somos e como vivemos. A mensagem da cruz define nossa nova identidade. Nossa identidade está em Cristo crucificado (Gl 2:20 – ACF). Quem morre na cruz com Cristo vive livre da condenação.

A mensagem da cruz também define nosso estilo de vida. A cruz implica morte diária (Lc 9:23 – ACF). Não é um evento isolado, mas um caminho contínuo. Viver a cruz é morrer para si todos os dias. A cruz não é um símbolo pendurado, é um estilo de vida vivido.

A cruz não é apenas o início da vida cristã, é o seu centro, seu caminho e seu destino. Paulo nos ensina que gloriar-se no que a cruz representa é viver transformado por ela. Hoje, somos chamados a abandonar falsas glórias, romper com o mundo e viver plenamente para Cristo.

Que possamos dizer, com sinceridade e convicção: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.”

Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.