Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.
Vivemos em um tempo em que há muitas vozes: vozes da mídia, vozes da cultura, vozes do pecado e vozes da confusão religiosa, mas, em meio a tantas vozes, Deus continua levantando homens e mulheres que carregam uma mensagem celestial.
João Batista surge em um período de silêncio profético de aproximadamente quatrocentos anos. Israel estava espiritualmente seco, frio e dominado pela religiosidade. Porém, Deus levanta uma voz no deserto para anunciar que o Messias estava chegando.
João estava retransmitindo as palavras de Deus, conforme ouvia a Sua voz espiritual; ele era apenas o mensageiro retransmissor. Ele não ensinava suas próprias ideias ou crenças e não buscava glória própria; sua missão era preparar o caminho para o Cristo.
Este texto nos mostra características poderosas de uma vida usada por Deus.
Deus procura vozes disponíveis para preparar corações para a manifestação de Cristo. Neste texto, encontramos três verdades fundamentais sobre a voz de Deus naquele que ELE usa.
É a voz de Deus que surge no deserto. O Deus de Israel falara a Seu povo desde o deserto do Sinai. Sua Palavra, na boca de muitos profetas que frequentaram os desertos, agora reverberava por meio de João, o Batista, que também habitava no deserto. Os maiores instrumentos de Deus são formados nos desertos da vida.
O deserto é lugar de preparação espiritual. João Batista não surgiu nos palácios de Jerusalém, mas no deserto. O deserto simboliza: solidão do mundo, quebrantamento de espírito, dependência de Deus e intimidade com o Todo-Poderoso.
Antes de Deus usar alguém publicamente, primeiro trabalha nele secretamente. Muitos querem plataforma sem preparação, púlpito sem deserto, visibilidade sem tratamento espiritual, mas Deus prepara os Seus servos longe dos aplausos humanos. Moisés passou quarenta anos no deserto antes de libertar Israel. Quem não suporta o deserto dificilmente sustentará o propósito.
O deserto é o lugar onde a voz de Deus é ouvida e Sua mensagem é entregue para ser proclamada. No silêncio do deserto, João aprendeu a ouvir a voz de Deus. O mundo produz vozes cheias de ego, mas o deserto remove o orgulho e produz dependência do SENHOR. Há muito barulho hoje: vaidade, competição e autopromoção, mas Deus procura vozes limpas, não com a eloquência humana. Antes de Deus usar a sua voz, ELE precisa tratar o seu coração.
O deserto é lugar para revelação divina. Foi no deserto que João recebeu clareza sobre a sua missão. Muitas vezes Deus nos afasta das distrações para revelar o propósito. Há pessoas frustradas porque ainda não compreenderam o propósito de Deus para as suas vidas. Às vezes, o SENHOR usa o deserto para trazer direção. Paulo passou um período na Arábia antes de iniciar plenamente o seu ministério apostólico. Deus revela destinos eternos em lugares de aparente solidão.
Uma semente cresce escondida debaixo da terra antes de aparecer na superfície. Assim também Deus trabalha no oculto antes de revelar os Seus instrumentos.
A verdadeira voz de Deus não negocia a verdade; ela proclama com coragem e fidelidade. João não murmurava; ele proclamava com autoridade. A palavra “clama” transmite intensidade, ousadia e urgência. João Batista tinha consciência da gravidade de sua missão. O Messias estava chegando. Era necessário despertar o povo. O Evangelho não pode ser anunciado com frieza espiritual. O mundo precisa ouvir uma Igreja cheia de convicção. No Pentecostes, Pedro levantou a voz e anunciou Cristo com ousadia. Quem conhece a verdade não consegue permanecer em silêncio.
A voz de Deus confronta o pecado. João Batista confrontou soldados, religiosos, publicanos e, até mesmo, o rei Herodes. A voz de Deus consola, mas também confronta. Vivemos dias em que muitos querem mensagens agradáveis, mas rejeitam o confronto. O pregador da verdade não adapta o evangelho para agradar pessoas. Natã confrontou Davi, dizendo: “Tu és este homem”. (2 Samuel 12:7). A voz que vem de Deus não massageia o pecado; ela chama ao arrependimento.”
A voz de Deus revela a Cristo, nosso modelo e exemplo a ser imitado. João jamais chamou atenção para si mesmo. Seu ministério tinha um único objetivo: revelar o Ungido de Deus. Em João 3:30, lemos: “É necessário que ele cresça e que eu diminua”. No verdadeiro ministério não há exaltação própria, mas a glorificação da pessoa de Cristo. O verdadeiro servo não busca ser visto; busca revelar Cristo.
Uma trombeta não toca para exaltar a si mesma, mas para anunciar uma mensagem. Assim deve ser a vida do cristão.
João Batista entendeu a sua missão: ele não era a luz, não era o Cristo e não era o centro da mensagem de Deus. Ele era apenas o mensageiro de Deus – d’Aquele que clamava a partir do deserto.
E Deus continua procurando pessoas: santificadas, corajosas e comprometidas com a verdade, para pôr nelas a Sua voz, como fez com Cristo (João 12.49-50 e 17.8).
O SENHOR ainda deseja usar vidas para preparar caminhos para que Cristo realize a obra de redenção e salvação no homem.
Talvez existam desertos em sua vida hoje. Talvez Deus esteja trabalhando em silêncio. Não despreze o processo. O deserto pode ser o lugar onde Deus está formando a Sua voz em você.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

