E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro; e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe dissera: Antes que o galo cante, me negarás três vezes.
O raiar do dia, como um tipo ilustrativo nas Escrituras Sagradas, contém uma mensagem de salvação, resgate, livramento e cessação de todo o medo e sofrimento.
A escuridão da noite é como as trevas espirituais que faz a mente do homem experimentar o medo do perigo, mas com o nascer do sol, trazendo sua luz, surge a certeza da justiça.
"Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria." (Ml 4.2)
O choro está para a noite escura, assim como a alegria está para a manhã iluminada (Sl 30.5).
Com essas informações em mente fica mais fácil entender porque Jesus usou palavras com mensagens espirituais implícitas para Pedro, que na escuridão da noite, vendo seu Mestre preso e suas esperanças serem obscurecidas pelas incertezas do futuro:
"Antes que o galo cante, você vai me negar três vezes".
O galo canta na última vigília da noite, entre três e cinco horas da madrugada em nosso calendário atual. Ou seja, nas últimas duas ou três horas antes do sol nascer.
Os judeus dividiam a noite em três vigílias: a primeira, ‘princípio das vigílias’ (Lm 2.19), ia desde o sol posto até às 10 horas da noite – a segunda, ‘a vigília média’ ou da meia-noite (Jz 7.19), principiava às 10 horas da noite e prolongava-se até às duas horas da madrugada – e a terceira, a ‘vigília da manhã’ (1 Sm 11.11),
Ao Jesus dizer: "antes que o galo cante", quer nos transmitir a seguinte mensagem: "Você vai me negar quando estiver em escuridão espiritual, antes do dia amanhecer, dando tempo de, ainda vivendo nas trevas, chorar arrependido, para que ao nascer do dia (retorno de Cristo), já esteja perdoado e não perca a salvação.
Judas traiu Jesus no início da noite e teve mais tempo para se arrepender, mas preferiu outro caminho, mas Pedro negou nas últimas horas, chorou amargamente pela covarde e medrosa negação de Jesus. O problema não é o tempo, mas a disponibilidade que temos para reconhecer nossa necessidade de um Salvador.
Tudo começou quando Pedro, do alto da sua arrogância afirmou: “Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei” (Mt 26.33). Pedro não havia aprendido com o Mestre as maiores lições de humildade, mas insistia em sua prepotência. Então, Cristo lhe respondeu: “Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás” (Mt 26.34).
Cristo sabia que o Seu discípulo não queria ser identificado, por isso Jesus se manteve sempre de costas para Pedro, para o preservar, mas após a terceira negação, Cristo se virou para ele e fitou o Seu olhar dentro dos olhos de Pedro.
Com que olhar Cristo olhou para Pedro? De crítica: “Eu não disse que você is me trair três vezes?” De reprovação: “Você é igual a Judas, traidor e não merece viver, afasta-te de mim!”? Que mensagem o Senhor transmitiu com Seu profundo olhar?
Somente um olhar tocaria tão profundamente o íntimo de Pedro, ao ponto de fazê-lo refletir e sentir vergonha de si mesmo, se humilhar e ter coragem para pedir perdão e mudar o seu caráter vanglorioso. O olhar de amor e de compaixão de Cristo, que concede a segunda chance ao homem disposto a aprender a humildade.
Pedro chorou amargamente porque foi capaz de negar a pessoa que mais lhe amou. Ele estava indignado consigo mesmo, mas o olhar de Cristo o encorajou a continuar. Pedro foi salvo por um olhar de amor de Jesus Cristo.
Você tem olhado para Jesus? Ele tem fitado o Seu olhar de amor e compaixão em você!
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

