Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém.
Há textos bíblicos que soam como convites brandos. Outros, porém, soam como trombetas que rompem a mornidão espiritual. 2 Pedro 3.18 soa como um som de trombeta! Um chamado urgente para subir mais alto.
É o último versículo da última carta do apóstolo Pedro. É como o testamento espiritual de um homem que caminhou com Jesus, caiu, levantou-se, foi restaurado e terminou a carreira exortando a Igreja a não parar, mas a continuar crescendo.
Pedro sabia que dias difíceis viriam. Falsos mestres surgiriam, zombadores proliferariam, e a frieza espiritual tentaria apagar o fervor dos santos. Por isso encerra sua carta com uma ordem, não uma sugestão: “Crescei!”
Assim como uma árvore que deixa de crescer começa imediatamente a morrer, o crente que não cresce espiritualmente, começa a definhar. Portanto, esta mensagem tem uma proposição clara.
Todo crente deve avançar continuamente no crescimento espiritual, aprofundando-se na graça e no conhecimento de Cristo, para que Deus seja glorificado em sua vida agora e na eternidade.
O crescimento espiritual não é opcional; é uma ordem divina para todo crente, em todo tempo e circunstância. Crescer é um imperativo, não uma escolha. Isso pode ser visto em todas as criaturas da natureza como uma clara mensagem do Criador ao mundo.
Pedro diz: “crescei”, no imperativo grego "auxanete", que indica ação contínua. A vida cristã não é estática; é dinâmica. Hebreus 5.12–14 mostra que alguns já deveriam ser mestres, mas ainda eram como crianças que precisam crescer. Deus não aceita estagnação.
O crente precisa assumir responsabilidade pelo próprio crescimento: disciplina, leitura bíblica, oração, congregação, serviço. Crescimento exige esforço espiritual. Assim como uma planta colocada num vaso pequeno deixa de crescer, muitos cristãos ficam “estagnados” porque limitam sua vida espiritual ao mínimo. Quem não cresce, retrocede.
Somos chamados a crescer apesar das circunstâncias adversas. O apóstolo diz: “Antes crescei (…)”. O “antes” contrasta com tudo o que foi dito. Ou seja: enquanto o mundo fica estagnado, vocês cresçam! (2 Pe 3.17). O crente não depende de circunstâncias favoráveis para amadurecer; pelo contrário, cresce por meio das provações (Tiago 1.2–4).
Crescimento não é um evento, é um processo. Paulo disse: “prosseguindo para o alvo (...)” (Fp 3.14). Estabelecer disciplinas espirituais permanentes, não esporádicas, é o método para continuar crescendo. Transforme sua devoção em hábito diário, não em reação ocasional. Crescimento não é alcançado em sazonalidades; é sustentado por uma rotina.
O crescimento espiritual acontece em duas dimensões inseparáveis: graça experimentada e conhecimento aprofundado de Cristo. Crescer na graça: aprofundar-se na obra transformadora de Deus. Graça, no contexto dessa mensagem, não é salvação inicial, mas a ação contínua de Deus moldando caráter, produzindo frutos do Espírito (Gl 5.22–23).
Crescer no conhecimento de Cristo: conhecer mais quem Ele é. O texto afirma: "(...) e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” Conhecimento aqui é "epignosis", que significa conhecimento profundo, relacional, experiencial. João 17.3 mostra que vida eterna é conhecer ao Pai como único Deus e a Jesus, como Seu enviado.
Você conhece a Cristo ou apenas conhece informações sobre Ele? Piedade sem doutrina é instável; doutrina sem piedade é morta. Graça e conhecimento: duas estradas que nunca se separam.
Pedro une as duas dimensões como inseparáveis. Graça sem conhecimento vira sentimentalismo. Conhecimento sem graça vira arrogância (1 Co 8.1).
2 Pedro 3.18 é o último brado do apóstolo. Ele nos chama a não sermos estagnados, acomodados, mornos. Ele clama: “Crescei na graça!”; “Crescei no conhecimento!”; “Vivam para a glória de Cristo!”
O que Deus deseja de você hoje? ELE não pede perfeição imediata, pede crescimento contínuo.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

