Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado.
O apóstolo João escreve aos crentes que estão enfrentando falsos ensinos e tentações, lembrando-os de que a vida cristã não é apenas conhecimento, mas caminhada na luz de Deus.
O versículo mostra três marcas de quem anda na luz: comunhão verdadeira, purificação contínua e semelhança com o caráter de Deus e de Cristo Jesus.
Andar na luz é viver em comunhão com Deus, com Cristo e com os irmãos, experimentando continuamente a purificação pelo sangue de Jesus. Sem essa comunhão espiritual, vivendo no mesmo espírito, a luz da verdade não se acenderá na vida do crente.
Todas as promessas de Deus são condicionais. Para andar na luz, não é diferente. O verdadeiro cristianismo se manifesta em uma vida transparente, reta e semelhante à de Cristo.
“(...) se andarmos na luz, (...)”. Uma decisão de caminhar na luz não é apenas uma questão de escolha, mas também conta com a poderosa ajuda dos céus.
Andar é viver, agir e se conduzir. Andar na luz significa viver sob o resplendor da verdade de Deus (Sl 119.105). A Palavra da verdade ilumina o crente quanto às suas novas palavras e ações que glorificam a Deus e a Cristo.
O crente deve escolher diariamente andar na luz, rejeitando a vida de obscuridade e de pecados. É como alguém que caminha em plena luz do dia, sem medo de ser visto. Quem anda na luz não teme ser descoberto. Não se preocupa com os julgamentos alheios, pois é luz para o mundo. É para ser visto mesmo. Crente que se incomoda com os julgamentos alheios, é porque não está resplandecendo a verdade gloriosa de Deus, mas ainda anda frequentando as trevas.
“(...) como Ele na luz está (...)”. O padrão divino é a claridade absoluta. Deus é luz, e nELE não há trevas nenhuma (1 Jo 1.5). O chamado não é para comparar-se com homens, mas com Cristo, Aquele que é chamado de o resplendor da "Luz de Deus" (Hb 1.3 e Jo 8.12).
A santidade de Deus deve ser o referencial do crente, não o padrão do mundo. Como um espelho que reflete a luz do sol, o cristão deve refletir a glória de Cristo sobre o mundo em trevas. Nosso modelo não é o próximo, mas unicamente Jesus, o Cristo, que nos ensinará o caráter de Deus.
Quem anda nas trevas engana a si mesmo (1 Jo 1.6). Trevas representam mentira, maldades, pecado e hipocrisia. É impossível viver em trevas e alegar comunhão com Deus. É como alguém que tenta dirigir à noite com os faróis apagados, inevitavelmente se envolverá em acidente. Trevas e luz nunca podem andar juntas. Quando o sol nasce, as sombras se dissipam. Assim é a vida de quem decide andar na luz de Cristo.
O resultado da caminhada à luz da verdade é se manter na comunhão verdadeira. Andar na luz nos conduz a uma vida de comunhão real com Deus e com os irmãos: "(...) temos comunhão uns com os outros (...)”. A comunhão é consequência de andar na luz, não apenas de estar na mesma igreja. Não é uniformidade, é unidade no mesmo espírito (Ef 4.3).
Não existe comunhão vertical sem comunhão horizontal. Se não conseguimos amar o nosso irmão a quem enxergamos, como amaremos a Deus se não conseguimos vê-Lo? (1Jo 4.20). A raiz e a força para a comunhão entre crentes está em Cristo (Jo 15.5). Quanto mais perto de Cristo, mais perto dos irmãos.
A comunhão é uma arma poderosa que edifica o crente e convence as pessoas através do testemunho pessoal. A comunhão visível é testemunho para o mundo (Jo 17.21). Onde há luz, há amor, transparência e unidade. A igreja precisa ser exemplo de comunhão verdadeira em um mundo fragmentado. A comunhão da igreja é a luz que brilha no mundo.
Andar na luz não é mérito humano, mas fruto da contínua purificação pelo sangue de Jesus: “(...) o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” O preço da purificação já foi debitado e a dívida já foi paga. João destaca que a purificação não vem por obras, mas pelo sangue do Filho (Hb 9.14). O sacrifício de Cristo é suficiente e eterno.
1 João 1.7 nos mostra a essência da vida cristã: andar na luz, viver em comunhão e ser purificado pelo sangue de Jesus. Não há espaço para trevas, isolamento ou culpa permanente, porque Cristo é suficiente.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

