Voltar para a lista

Devocional

Deus Dos Vivos

Por Fábio Amaro

03 de junho de 2026

Deus Dos Vivos

Filhos sois do Senhor vosso Deus; não vos dareis golpes nem fareis calva entre os vossos olhos por causa de algum morto.

O livro de Deuteronômio é o discurso final de Moisés antes da entrada de Israel na Terra Prometida. O povo estava prestes a viver uma nova etapa, e Deus desejava que eles jamais esquecessem quem eram. 


Antes de falar sobre costumes, práticas ou leis, Deus reafirma a nova identidade do Seu povo: “Filhos sois do Senhor vosso Deus”. O Senhor sabia que as nações pagãs ao redor influenciariam Israel com práticas mundanas, idolátricas e destrutivas. Por isso, Deus começa lembrando: “Vocês pertencem a Mim”. A identidade sempre precede o comportamento. Quem sabe quem é, sabe como deve viver. 


Hoje vivemos uma geração de religiosos que perdeu a noção de identidade espiritual. Muitos sabem o nome da igreja, conhecem tradições religiosas, mas não vivem como filhos de Deus. Deuteronômio 14:1 nos mostra três grandes verdades sobre a identidade dos filhos de Deus.


O verdadeiro filho de Deus revela sua identidade por meio de uma vida separada, santa e diferente do mundo. Como Deus descreve a identidade dos Seus filhos neste texto?


Os filhos de Deus possuem uma identidade espiritual distinta da do mundo. O texto afirma: “Filhos sois do Senhor vosso Deus”. A maior honra do crente não está no que ele possui na terra, mas a quem ele pertence no céu.


Deus chama Israel de “filhos”. Isso fala de vínculo, comunhão e pertencimento. Eles não eram apenas uma nação; eram propriedade exclusiva do Senhor. Na Bíblia, ser chamado filho de Deus significa estar ligado ao Pai por aliança. No Novo Testamento, isso se cumpre plenamente em Cristo. Em João 1.12, lemos: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus (...)”. 


O mundo tenta definir as pessoas pelo dinheiro, aparência, posição social ou passado. Mas Deus define os Seus filhos pela relação com ELE. Quem sabe que é filho não vive como órfão espiritual. Um príncipe pode estar vestido com roupas simples, mas continua sendo príncipe porque a sua identidade não depende das vestes, mas de sua filiação. Quem conhece o Pai e obedece-O jamais será aceito como escravo.


O relacionamento com Deus, como Pai, produz segurança espiritual. Ao dizer “sois do Senhor”, Deus estabelece posse divina sobre Seu povo. O crente pertence ao Senhor. Não é propriedade do pecado, do diabo nem do mundo. Paulo diz: “Porque fostes comprados por bom preço (...)” (1 Coríntios 6:20). Muitos vivem dominados pelo medo porque esqueceram a quem pertencem. O filho de Deus pode atravessar crises sabendo que está guardado pelo Pai. 


A identidade de “filho de Deus” exige responsabilidade espiritual. Ser filho de Deus não é apenas um privilégio; é uma responsabilidade. O nome do Pai deve ser refletido na vida de Seus filhos. Em 1 Pedro 1.16, diz: “Sede santos, porque eu sou santo.” O mundo precisa enxergar a santidade de Cristo em nós. Nossa fala, comportamento e decisões devem revelar nossa filiação espiritual. O sobrenome de uma família carrega a reputação. Quando um filho age mal, desonra o nome da família. O filho revela o Pai por meio da maneira como vive.


Um missionário contou que, ao visitar um orfanato, viu uma criança extremamente insegura. Depois que ela foi adotada, a sua postura mudou completamente. O amor do pai transformou a sua identidade. Assim também acontece conosco, quando entendemos que somos filhos de Deus.


O filho de Deus não deve imitar as práticas do mundo. O texto diz: “Não vos dareis golpes” e “nem fareis calva entre os vossos olhos por causa de algum morto”. Quem pertence a Deus não pode copiar os costumes de um mundo afastado de Deus. 


O povo de Deus deve rejeitar as práticas pagãs e mundanas que seguem as tendências e sazonalidades. Os povos pagãos se cortavam em rituais ligados aos mortos e à idolatria. Deus proíbe Israel de imitar essas práticas porque elas refletiam incredulidade e paganismo. Hoje, virou tendência um filho tatuar em seu corpo a imagem da sua mãe, do seu pai ou de seu filho(a) que faleceu. Práticas como essas denotam rejeição ao Deus vivo, que promete vida. O crente não pode absorver os padrões do mundo apenas porque são populares. Uma água pura perde a sua pureza quando misturada à água contaminada. Nem tudo que é comum ou aceito pela maioria, no mundo, é aceitável diante de Deus.


O povo de Deus deve controlar as suas emoções. Emoções desajustadas são porta de entrada para espíritos do mal. Os golpes no corpo eram demonstrações desesperadas de dor emocional. Deus não estava proibindo o luto, mas os excessos sem esperança. Paulo orienta: “Para que não vos entristeçais como os demais, que não têm esperança” (1 Tessalonicenses 4:13). 


O cristão sofre, chora e sente dor, mas não perde a esperança porque conhece o Deus da vida. Enquanto o mundo vê o túmulo como o fim, o crente o vê como passagem para a eternidade. A dor do crente nunca é maior que a sua esperança.


Deuteronômio 14:1 nos ensina que: somos filhos do Senhor; não devemos imitar o mundo e devemos viver em santidade. O problema de muitos hoje é que eles querem os privilégios da filiação sem assumir a responsabilidade da santidade.


Deus continua procurando filhos que reflitam o Seu caráter em uma geração corrompida. 


Você realmente vive como filho de Deus? Existe diferença entre a sua vida e a vida do mundo? Sua identidade espiritual está clara ou confusa? As pessoas conseguem enxergar Cristo em você? Hoje, Deus nos chama de volta à identidade perdida.


Quando um homem entende que é filho de Deus, ele nunca mais consegue viver como cidadão deste mundo.


Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.