Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.
A carta aos Hebreus exalta a obra mediadora de Cristo como Sumo Sacerdote perfeito, cujo sacrifício foi suficiente e eterno.
No capítulo 9, usando o santuário terrestre como figura das coisas espirituais, o autor mostra que Cristo, nos céus, diante do Santo dos Santos, com o Seu próprio sangue, obteve eterna redenção.
O versículo 28 é um resumo glorioso: a primeira vinda de Cristo trata da nossa redenção, a segunda da nossa glorificação.
Assim como o sacrifício do cordeiro pascal era um símbolo da libertação do povo de Israel da servidão e da morte no Egito, o sacrifício de Cristo no Calvário nos livrou da morte certa neste mundo em decorrência dos nossos pecados.
Todavia, a história da redenção plena e perfeita não termina na cruz do Calvário, ela tem um curso que aponta para o retorno do Senhor Jesus na glória de Deus, o Pai.
A obra de Cristo se manifesta em duas vindas: a primeira para expiar os pecados de todos os que pela fé aceitaram a graça oferecida, a segunda para trazer a plena salvação aos que O aguardam em perseverante obediência à Palavra de Deus.
A primeira vinda de Cristo foi marcada pelo sacrifício expiatório em nosso favor. Foi um sacrifício único, pleno e suficiente para quitar o débito com o pecado e com a morte eterna, que o homem de fé, que se torna uma nova criatura em Cristo, tinha desde o Éden.
“(...) oferecendo-se uma vez (...)”. Diferente dos sacrifícios repetidos pelos sacerdotes no Antigo Testamento, que todo dia e todo ano ofereciam (Hebreus 10:10-12), mas não resolviam o problema do pecado, Jesus resolveu tudo oferecendo a Si mesmo. Não precisamos buscar novos meios de salvação; Jesus é suficiente.
“(...) para tirar os pecados de muitos (...)”. Ele tomou o nosso lugar (Isaías 53:6). Assim como o cordeiro morria em lugar do pecador, Jesus levou sobre Si as nossas dores, feridas e morte, para que pudéssemos viver. O sangue de Cristo não cobre parcialmente; Ele apaga totalmente.
O sacrifício de Cristo remove o pecado do homem que se arrepende, confessa e abandona a rebelião, reconciliando-se com Deus (Colossenses 1:20-22). Quem não aceita o perdão é como um prisioneiro que continua vivendo como se ainda estivesse trancado, mesmo após a libertação. O Calvário não deixou saldo devedor; deixou a conta paga.
A segunda vinda de Cristo será diferente da primeira, pois será em glória e sem qualquer relação com o pecado ou expiação, mas com juízo e glorificação: “(...) aparecerá segunda vez, sem pecado (...)”. Na primeira vinda, carregou o pecado; na segunda, virá como Rei vitorioso (Ap 19:11-16). Vivamos em santidade, lembrando que Aquele que virá não virá para sofrer, mas para reinar. O Cordeiro que foi morto voltará como Leão que reinará.
Ele não virá de forma secreta, mas visivelmente: “(...) aparecerá segunda vez (...)”. Sua volta será pública e gloriosa (Mt 24:30; At 1:11); Ap 1.7). Assim como o sol nasce todos os dias, a volta de Cristo é inevitável. O Cristo que subiu, sendo ocultado nas nuvens, voltará revelado em glória.
Ele virá para consumar a salvação. Não mais para lidar com o pecado, mas para glorificar os salvos (Fp 3:20-21). Isso nos dá esperança em meio às lutas. O Cristo que começou a boa obra voltará para terminá-la em glória.
A promessa da segunda vinda de Cristo é direcionada aos que vivem em esperança vigilante: “(...) aos que o esperam (...)”. O verdadeiro crente vive em expectativa (1 Ts 1:10). O modo como vivemos revela se realmente esperamos por Cristo. Quem não espera por Cristo, provavelmente não pertence a Cristo.
Hebreus 9:28 nos apresenta a plenitude da obra de Cristo em duas vindas: A primeira, em humilhação, para remover o pecado. A segunda, em glória, para salvar plenamente os que O aguardam.
Nossa vida deve estar ancorada entre estas duas vindas: olhando para trás com gratidão pela expiação e olhando para frente com esperança pela glória. Na cruz nos foi dado o perdão; a volta de Cristo nos dará perfeição.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

