Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.
A segunda epístola de João é breve, mas profundamente contundente. Escrita para advertir contra falsos mestres que negavam que Jesus veio em carne, ela enfatiza a importância da verdade doutrinária.
Vivemos dias em que a verdade é relativizada, a doutrina é desprezada e a experiência é exaltada acima da Escritura. Porém, João nos mostra que a fidelidade à doutrina de Cristo não é detalhe secundário, é questão de vida espiritual.
Conhecer Jesus como ser humano, o enviado do Deus único, é questão de salvação, questão de vida eterna, conforme as palavras ditas pelo próprio Jesus quando estava em profunda comunhão espiritual com o Pai: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3).
Este versículo (2 João 1.9) apresenta um contraste solene: quem não persevera na doutrina não tem a Deus. Quem persevera na doutrina tem o Pai e o Filho.
A comunhão verdadeira com Deus está inseparavelmente ligada à permanência fiel na doutrina do Cristo. É na vida e obra do Cristo que a manifestação da glória de Deus, o Pai, é revelada de forma mais poderosa.
Abandonar ou distorcer a doutrina de Cristo conduz à perda da comunhão com Deus e Jesus. Prevaricar é ir além do que está revelado e não cumprir aquilo que se espera que faça. “Prevarica” traz a ideia de ultrapassar limites estabelecidos. Há aqueles que “avançam” além da verdade apostólica, criando novos ensinos.
Em Gálatas 1:8, lemos: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho (…)”. Nem toda novidade é progresso, pode ser desvio. Nem tudo aquilo que se ensina por tradição e costume é verdade. Pode ter sido imposto pela força e pela ignorância da maioria.
Cuidado com ensinos que parecem sofisticados, mas não estão fundamentados na Escritura. Um trem que sai dos trilhos pode continuar se movendo por alguns metros, mas inevitavelmente descarrila. Você examina os ensinos à luz da Palavra? Quem ultrapassa os limites da verdade acaba fora do caminho da vida.
Não perseverar é abandonar a fé e a verdade gradualmente. O termo “não persevera” indica falta de permanência. Em Hebreus 2:1, lemos: “Importa-nos atentar com mais diligência (…)”. O afastamento raramente é abrupto; geralmente é progressivo. O esfriamento doutrinário começa com negligência. A negligência hoje pode resultar em afastamento amanhã.
O resultado de não conhecer a doutrina do Cristo, afastar-se ou negá-la, é grave. O texto diz: “não tem a Deus”. João é direto e absoluto. Negar a doutrina de Cristo é negar a verdade dada pelo próprio Deus. Em 1 João 2:23, lemos: “Qualquer que nega o Filho também não tem o Pai (…)”. Doutrina correta não é opcional, é essencial.
Relacionamento com Deus não é separado da verdade sobre Cristo. Não se pode aceitar a raiz e rejeitar o tronco da árvore. Você mantém firme sua convicção sobre quem Cristo é? Rejeitar a verdade sobre Cristo é rejeitar o próprio Deus.
Assim como remover o fundamento compromete toda a estrutura de um edifício, abandonar a doutrina de Cristo compromete toda a fé. A permanência fiel na doutrina de Cristo é a evidência da verdadeira comunhão com Deus. Perseverar exige firmeza. Perseverança envolve continuidade apesar da oposição. Em Atos 2:42, lemos: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos (…)”. A igreja primitiva era marcada por constância doutrinária.
Fidelidade doutrinária exige disciplina espiritual. Você tem sido disciplinado no estudo da Palavra? Perseverança na doutrina produz estabilidade na fé.
Perseverar protege contra o erro. Em Efésios 4:14, lemos: “Para que não sejamos mais meninos inconstantes (…)”. Conhecimento sólido impede engano. Ignorância bíblica abre portas para falsos ensinos. Um cofre forte protege tesouros valiosos contra ladrões. Invista no conhecimento profundo das Escrituras. A verdade conhecida é escudo contra o erro.
2 João 1:9 nos confronta e nos consola com três verdades: (1) abandonar a doutrina é perder comunhão; (2) perseverar na doutrina é evidência de fé genuína; (3) permanecer na verdade nos mantém unidos ao Pai e ao Filho.
Vivemos tempos de confusão doutrinária, mas Deus chama sua igreja à fidelidade. Não avance além do que está escrito. Não retroceda por pressão cultural. Permaneça firme na doutrina de Cristo. Porque permanecer na verdade é permanecer em Deus.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

