Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu.
Deus, com sua graça, nos encontra nos momentos de solidão e conflito para transformar nosso caráter e nos preparar para Seu propósito.
Há momentos na vida em que o homem se sente sozinho, abandonado por parentes e amigos. Às vezes é a noite escura da alma, outras vezes é o peso das escolhas que se faz, ou ainda o medo do que está por vir.
Jacó, neste versículo, está em um desses momentos. Ele está sozinho, com um passado que o persegue, um futuro incerto e uma identidade incerta e vacilante.
Mas é nesse exato momento que Deus (Elohim - o Anjo do SENHOR) aparece, não para confortá-lo com palavras suaves, mas para lutar com ele. Deus luta conosco, não para nos destruir, mas para nos transformar.
A solidão é o "ambiente" providencial onde Deus realiza Sua obra mais profunda em nós. “E Jacó ficou sozinho." Jacó enviara tudo e todos à frente (Gn 32.22-23), ficando completamente só. A solidão de Jacó não era apenas física, mas também emocional e espiritual. Era o momento ideal para o agir de Deus.
Deus usa frequentemente a solidão para nos confrontar com a verdade. Em nossos momentos mais vazios, Ele revela quem realmente somos e quem Ele quer que sejamos.
Como o escultor que precisa de silêncio para moldar, Deus muitas vezes nos separa dos ruídos do mundo para nos transformar. A solidão não é ausência de Deus, mas a oportunidade de Sua presença mais profunda.
O Anjo do SENHOR, um Elohim, aparece a Jacó na figura humana: "... Então veio um homem ...” Aqui está uma manifestação da glória de Deus através do Seu Enviado (cf. Oséias 12.4). Deus manifesta Sua glória ao nível de Jacó, um ser humano, mostrando interesse pessoal, individual e direto. Ele não espera que venhamos a Ele perfeitos; Ele vem a nós em nossa fraqueza.
“... até o amanhecer." O conflito durou toda a noite, durante toda a parte escura do dia, um símbolo do processo de transformação, que não se pode desistir enquanto está nas sombras da dor e do sofrimento, durante o momento de provação.
A luta não é instantânea; ela é prolongada, árdua e dolorosa, pois a transformação do homem interior não acontece num passe de mágica; requer tempo para se quebrar e moldar tudo de forma perfeita e correta, para durar o tempo da eternidade. O ouro não é purificado num instante, mas no fogo prolongado.
O propósito de Deus só pode ser cumprido em nós depois da transformação promovida pela luta: "... se pôs a lutar com ele ..." A luta só termina quando a luz da alvorada ilumina a nova criatura em Cristo Jesus, revelando o novo dia e a nova identidade do novo homem.
A transformação de Jacó prepara-o para reencontrar Esaú, assim como todo homem que precisa nascer de novo em Cristo antes de encontrar seus irmãos e amigos, carregando na própria carne as marcas da luta com "Deus", como testemunho vivo de alma humilde e transformada.
Após a luta sempre vem o descanso, como após a negra noite vem o amanhecer. Deus tem um novo tempo para os que se rendem a Sua vontade. A luta que maltrata a nossa carne é a mesma que habilita o nosso espírito.
Jacó agora é Israel e tem um novo andar. Ele não anda mais com o orgulho dos homens, ele anda com Deus em santa humildade. Israel passa a mancar; nunca mais será o mesmo. Às vezes, as marcas físicas são reflexos da transformação interna. Ele agora é totalmente depende de Deus.
Um guerreiro com cicatrizes tem mais história do que um sem batalhas. A marca da graça é um passo mais lento, mas mais profundo.
Jacó entrou na noite como um homem que confiava na astúcia. Saiu dela mancando, mas com um novo nome. Quando Deus luta conosco, não é para nos destruir, mas para nos redimir. Ele nos encontra na solidão, nos confronta para nos transformar, e usa cada marca da batalha para cumprir Seu propósito.
Hoje, nós nos encontramos no meio da noite, no vale das decisões. É o tempo de nos agarrarmos A Cristo e não deixá-Lo ir, sem que sejamos transformados. O Senhor já começou uma luta intensa por nossa vida eterna, cabe a nós lutar ao Seu lado por essa vitória.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

