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Devocional

Fruto Da Provocação

Por Fábio Amaro

16 de julho de 2025

Fruto Da Provocação

Todavia o SENHOR não se demoveu do furor da sua grande ira, com que a sua ira se acendera contra Judá, por causa de todas as provocações com que Manassés o tinha provocado.

A paciência de Deus é grande, mas não infinita, e nem poderia ser, para que a justiça não se transformasse em injustiça pela permissão de que o mal se perpetuasse. O pecado deliberado e persistente deve provocar um julgamento inevitável.

No contexto do reinado do piedoso rei Josias, que promoveu uma das maiores reformas espirituais de Judá, encontramos este versículo sombrio. Apesar da sinceridade de Josias, Deus não voltou atrás em Sua sentença contra a nação. Isso nos ensina que há um ponto em que o juízo divino se torna irrevogável diante da perversidade acumulada.

Imaginemos um copo sendo enchido gota a gota. Por muito tempo parece que nada acontece, mas um momento chega em que a última gota faz transbordar a água no copo. Assim são os juízos de Deus diante da contínua rebelião. ELE concede um tempo de graça e oferece misericórdia. A não aceitação resulta em consequências naturais contra os erros cometidos.

"Entretanto, o Senhor não voltou atrás do fogo de sua grande ira, ..." Deus é tardio em irar-se, mas a Sua ira é certa contra o pecado não abandonado. O caráter justo da ira de Deus não oferece possibilidade de erros, quer seja por falta ou excessos. A ira de Deus é santa, justa, sem sombra de maldade ou impulsividade.

Romanos 1.18 declara que a ira de Deus se manifesta contra toda impiedade. Ela é o reflexo da Sua santidade ofendida pela maldade que vem de toda injustiça. Não devemos brincar com a paciência de Deus. Sua misericórdia é real, mas Sua justiça é infalível.

Um juiz paciente não é um juiz fraco; ele apenas aguarda o momento certo para aplicar a justiça que vem pela lei, de forma racional, considerando o contraditório e todos os cenários possíveis, contra e a favor do réu. Temos considerado a santidade de Deus ou estamos abusando da Sua graça?

Qual o limite da longanimidade divina? Ao invés de testarmos a paciência do Altíssimo, nosso arrependimento deve ser antecipado, não postergado. Um trem desgovernado pode ser freado no início. Se adiado, o impacto é inevitável. Temos deixado para depois as decisões que o Senhor pede que tomemos hoje? Quem adia o arrependimento pode antecipar o juízo.

Qual foi a causa desse juízo contra Judá? "... por causa de tudo o que Manassés fizera ..." O juízo divino é sempre uma resposta à provocação humana, e não da "impulsividade celestial". 

Manassés reinou 55 anos em profunda idolatria e feitiçaria, conduzindo o povo às práticas de terríveis maldades  (2 Reis 21.1-9). O acúmulo de iniquidades fez com que o pecado se tornasse sistemático, persistente e coletivo. O acúmulo de pecados não confessados transforma a misericórdia em algo inútil e sem valor. 

Um rio represado por muito tempo, quando rompe, arrasa tudo. O que o homem acumula em rebelião, colherá em destruição. Temos tratado pecados “pequenos” como inofensivos, ignorando seu acúmulo diante de Deus?

A influência maligna do rei Manassés corrompeu toda a nação de Judá. A liderança tem peso diante de Deus. O mal de Manassés contaminou gerações. Toda liderança sem o temor do Senhor é como um veneno despejado no reservatório central de águas; contamina toda a população.

Tenho influenciado positivamente meus irmãos para o bem ou corrompido suas visões pela minha negligência e mau exemplo? A liderança que desvia corações provoca a ira do céu na sua forma mais agravada. 

A perversão é a cara da provocação da ira de Deus. O perverso comete o pecado com dolo, com intenção de provocar a pessoa do Altíssimo. Manassés cometeu atrocidades para provocar o Todo-Poderoso. Esse tipo de pecado não é apenas uma falha moral, é rebelião contra a santidade divina. Manassés, como rei, sabia muito bem a gravidade de uma rebelião.

Toda vez que pecamos conscientemente, estamos desafiando o trono de Deus. Como um súdito que cospe na face do rei, assim é o pecado deliberado. Meu estilo de vida tem honrado ou provocado a santidade de Deus?

O texto de 2 Reis 23.26 é um alerta tremendo: Deus é longânimo, mas não indiferente. Ele dá tempo para arrependimento, mas não será zombado. Manassés provocou, Judá seguiu, e o juízo veio. Que a nossa geração aprenda: quando a ira de Deus se acende, não há reforma religiosa, moral ou política que a desvie sem arrependimento genuíno.

Não provoquemos o Todo-Poderoso com uma vida de desobediência. A Sua misericórdia está disponível, mas o juízo não será adiado para sempre.

Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.