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Devocional

Gratidão Com Motivo

Por Fábio Amaro

02 de setembro de 2025

Gratidão Com Motivo

Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

O capítulo 12 de Isaías é um cântico de louvor que surge após as profecias que anunciavam juízos sobre o professo povo de Deus e da vinda do Messias no capítulo 11. Ele aponta para um tempo em que a ira de Deus seria aplacada e Seu povo experimentaria o refrigério pela presença do Seu enviado, que traria paz, salvação e alegria.

Esse versículo resume a obra redentora de Deus: Sua ira, que era contra o Seu professo povo, foi retirada da vida dos remanescentes resgatados, e em lugar dela veio o Seu consolo.

O coração humano sabe o peso da culpa, mas também pode experimentar o alívio da graça. Aqui está o contraste mais glorioso do Evangelho: Deus, que poderia nos consumir em Sua santidade, nos abraça em Sua misericórdia, na pessoa do Seu Filho.

O cristão deve viver em constante gratidão, porque em Cristo a ira de Deus foi retirada e substituída pelo consolo divino.

Antes de experimentarmos o consolo, precisamos reconhecer a justa ira de Deus contra o pecado, arrepender-se e converter-se dos pecados para sermos justificados.

A ira que pesa sobre o pecador é consequência dos justos juízos de Deus. Isaías diz: “(...) ainda que te iraste contra mim (...)”. Isso mostra a condição natural do homem diante de Deus (Rm 1.18).

Deus é santo e não pode tolerar o pecado; por isso, Sua ira se manifesta contra toda injustiça. Precisamos reconhecer que estávamos debaixo da condenação. Sem essa consciência, os sacrifícios de Deus, o Pai, e de Cristo serão nulos. Assim como um juiz justo não pode ignorar o crime, Deus não ignora o pecado. Somente quem entende a "ira de Deus" pode valorizar o Seu consolo gracioso.

Qual o peso da consciência culpada? O povo de Israel sabia o que era sentir o afastamento de Deus por causa de sua rebeldia. A culpa é um lembrete da santidade de Deus e da nossa necessidade de perdão (Sl 32.3-4). Muitos hoje vivem tentando silenciar a voz da consciência, mas isso só agrava a condição espiritual do homem. A culpa sem perdão é prisão, mas o perdão de Deus abre as portas para a liberdade.

A ira de Deus não é um sentimento originado de emoções desequilibradas; é um juízo justo contra o pecado acariciado e não abandonado (Hb 9.27). Ignorar a ira de Deus é viver iludido quanto ao futuro eterno. A compreensão dessa verdade deve nos levar a viver em obediência. A ira de Deus é real, mas a Sua misericórdia é ainda maior.

Imagine um réu que sabe que sua sentença condenatória é justa, mas ao reconhecer sua culpa, provando o verdadeiro arrependimento, vê sua condenação retirada. Um misto de gratidão e alegria inunda seu ser, por saber que não merecia tal benção. Assim deve ser o pecador arrependido diante do juízo de Deus.

A salvação consiste na retirada da ira e na substituição pelo perdão e consciência do caráter divino. “(...) a tua ira se retirou (...)”. Isso só é possível porque Cristo carregou sobre Si a ira que era nossa (Is 53.5). Na cruz, a exigência da lei justa foi satisfeita, e agora há paz para quem crê. Como alguém que paga a fiança de outro, Cristo tomou sobre Si nossa condenação. A ira que era nossa caiu sobre Cristo, e a paz que era d’Ele veio sobre nós.

Em vez da condenação, o pecador arrependido recebe o consolo do perdão: “(...) e tu me consolas”. O perdão traz consolo profundo, removendo a culpa e trazendo alegria e paz de espírito. O consolo não é ausência de problemas, mas a presença de Deus Se reconciliando conosco.

O consolo espiritual tão necessário só vem ao coração do homem pela presença espiritual de Deus. O consolo é também a certeza de que Cristo caminha conosco (Mt 28.20). A reconciliação abre as portas para uma vida de comunhão constante com Deus. A presença de Deus deve ser buscada em oração, palavra e obediência.

Isaías 12.1 nos leva a contemplar o grande contraste entre a ira que merecíamos e o consolo que recebemos. A ira foi retirada, o perdão foi concedido, e o consolo de Deus agora habita em nossos corações. Essa é a realidade da nova criatura em Cristo Jesus.

Diante dessa realidade, só nos resta viver em gratidão constante. Que cada um de nós possa cantar como Isaías: “Graças te dou, ó Senhor”.

Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.