E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda tribo, e língua, e povo, e nação.
O cântico celestial revela a dignidade meritória de Cristo, fundamentada em Sua obra redentora e na profunda dimensão do Seu sacrifício.
No coração do livro do Apocalipse há um trono, onde Se assenta o Todo-Poderoso, Deus, o Pai, e no centro desse governo está o Cordeiro, a quem o Altíssimo exalta com as maiores honras do universo.
A cena em Apocalipse 5 é uma das mais dramáticas e majestosas de toda a Escritura Sagrada. Havia chegado o grande momento, o divisor de águas. Só haveria continuidade da história da humanidade se aparecesse alguém com a dignidade exigida pela justiça para o livro que descrevia o futuro da raça humana.
Ali estava um livro selado e o clamor por alguém digno de abri-lo, e finalmente, o surgimento do Cordeiro, o que venceu. É quando os céus, explode em louvor ao único Ser encontrado em todo o universo com a grandeza espiritual necessária para realizar tão grande obra.
O cântico entoado pelos seres celestiais é novo, porque celebra uma obra inédita: a redenção eterna realizada pelo sangue do Cordeiro.
Apocalipse 5.9 nos leva a compreender o porquê da dignidade de Cristo, a profundidade do Seu sacrifício e a abrangência da salvação por Seu intermédio.
Cristo é digno de receber glória e autoridade porque venceu pela morte. Só Cristo recebeu toda autoridade (Mt 28.18) para revelar e cumprir o plano de Deus na história. Você conhece a vida e a obra grandiosa de Jesus Cristo? A dignidade de Cristo não vem do poder opressor que impõe, mas da resistência ao pecado e do sangue derramado.
"Porque foste morto ..." A cruz foi o trono de Sua vitória. O Cordeiro venceu o mundo e o seu pecado como um Leão de Judá, dos Seus irmãos judeus. O valor do sacrifício está na obediência voluntária até a morte (Fp 2.8-9). O Cordeiro venceu porque preferiu morrer do que pecar, nisso reside Sua glória eterna.
A glória pela humilhação da cruz precedeu a coroa da vida eterna. A dignidade de Jesus é inseparável de Sua entrega. Isso muda nossa visão de realeza, poder e glória. A vergonha da crucifixão, símbolo de vergonha e dor, é agora o emblema da vitória. As coisas que pareciam fracas se fortaleceram com o poder que aperfeiçoa na fraqueza.
O preço da redenção foi muito alto. A redenção dos homens foi alcançada não com ouro ou prata, mas com o sangue precioso do Cordeiro: "... com o teu sangue compraste ...”. Para a redenção do homem pecador, foi exigido um alto preço. Cristo teve que pagar com Sua vida (1Pd 1.18-19). Não há salvação sem derramamento de sangue (Hb 9.22).
O preço pago pelo resgate de nossas vidas revela o quanto somos valiosos para Cristo e para Deus, o Pai.
"Compraste para Deus ..." Cristo não nos redimiu apenas da morte eterna, certa, mas nos salvou para Deus (Ef 2.13). A redenção visa restaurar o relacionamento com o Pai. Fomos resgatados não somente para sermos livres, mas para sermos adotados como filhos. Fomos comprados para sermos livres em Deus.
Quão abrangente foi a salvação conquistada por meio de Cristo? A obra de Cristo é eficaz para alcançar pessoas de todas as partes do mundo, sem distinção: “... de toda a tribo ...” Cristo é suficiente para todos. A obra do Calvário fala todas as línguas e entende todos os dialetos.
"... e língua, e povo e nação ..." A linguagem não é um obstáculo para o santo espírito de Deus. Em Pentecostes, todos ouviram em sua língua nativa (At 2.6-11). A igreja é chamada a traduzir o Evangelho em ação, palavras e vida. Temos proclamado Cristo de forma compreensível às pessoas ao nosso redor?
A salvação é para todos: judeus, gentios, africanos, asiáticos, brasileiros, europeus — o mundo inteiro. Isso nos chama à missão, à humildade e à esperança. Uma multidão que ninguém pode contar, de todas as nações, adorando o Cordeiro (Ap 5.12).
Apocalipse 5.9 é mais do que um verso de louvor, é o Evangelho cantado por anjos. Nele vemos a dignidade do Cordeiro, o preço da redenção e a universalidade do chamado de Deus. O Cordeiro é digno porque foi morto; Ele é vitorioso porque venceu o mundo e o pecado, nos deixando o exemplo para a vitória.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

