Mas, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra, e sintamos o mesmo.
O que significa perfeição no contexto bíblico muito usado pelo apóstolo Paulo? Significa que a nova criatura em Cristo atingiu o mesmo nível de caráter e poder de Deus?
A resposta é não. A palavra "perfeição", à risca da letra, no sentido gramatical moderno, ou no sentido da letra morta, como diz o apóstolo Paulo, não deve ser aplicada ao sentido bíblico, principalmente no contexto do verso em epígrafe: Filipenses 3.16.
Se nos apegarmos ao sentido da "letra morta", desprovido do discernimento espiritual para o entendimento da mensagem, que é espiritual, vamos incorrer no erro de muitos teólogos modernos que criaram uma ideia humana do perfeccionismo.
Para a palavra inspirada de Deus, o sentido de perfeição começa a ocorrer desde o momento em que o homem começa a sua carreira religiosa e espiritual, cumprindo o que a Escritura Sagrada lhe pede, conforme o seu conhecimento e a prática imediata daquilo que ele está descobrindo como verdade.
Mesmo não conhecendo ainda toda a Escritura Sagrada, todos os mandamentos de Deus e todas as práticas e praxes religiosas sobre o bom testemunho de um verdadeiro cristão, ele é considerado perfeito por Deus se cumprir aquilo que aprendeu.
A palavra chave a partir de então é "crescimento". Assim como a descoberta da verdade é gradativa, o processo de aperfeiçoamento também o é. Até Jesus, o Filho de Deus, também passou por esse processo de aprendizado e aperfeiçoamento:
"Ainda que era Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu; e, tendo sido aperfeiçoado, veio a ser autor de eterna salvação para todos os que lhe obedecem," (Hb 5.8-9).
Jesus Cristo, sendo o pleno e perfeito exemplo para todos nós, em tudo, precisou passar por todo o processo que todo ser humano que se torna uma nova criatura espiritual deve experimentar, para que seja justificado e receba a esperança da vida eterna.
Quando Paulo usa os termos: "Mas, naquela medida de perfeição a que já chegamos, nela prossigamos." (Fp 3.16), confirma toda uma verdade de que o cristão não deve se acomodar no nível espiritual que já atingiu, mas continuar evoluindo até atingir a estatura do homem perfeito, Jesus, o Cristo. (Fp 4.13).
"Naquela medida de perfeição", indica claramente que o homem não deve retroceder daquela medida de perfeição que ele atingiu, mas continuar crescendo como um edifício que está sendo erigido rumo ao céu; assim também é o nosso "corpo" espiritual, crescer rumo a Deus, por meio de Cristo.
Nessa perfeição - diz Paulo: "Nela prossigamos". Continuar se aperfeiçoando é uma necessidade vital para a nova criatura em Cristo. Estagnar ou retroceder significa morte espiritual e o sofrimento das consequências no corpo físico, carnal.
O professo cristão acomodado, que já está cansado da religiosidade, nunca conheceu a Cristo, mas perdeu todo o seu tempo de vida servindo a uma religião, a uma empresa religiosa, e defendendo uma placa de igreja, mas o crente de verdade sempre crescerá e nunca se acomodará.
Professos crentes que vivem dando "carteiradas" nos novos conversos, buscando louvor, aplausos ou reconhecimento, porque já estão há décadas dentro de uma igreja esquentando os bancos, desperdiçando todo o seu tempo e toda uma vida.
Ser cristão de verdade significa crescer no conhecimento e na graça de Deus, por meio de Cristo, nosso Senhor.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

