Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te.
Esta é uma das declarações mais surpreendentes do Senhor Jesus Cristo. Ela foi dirigida à igreja de Laodiceia, uma igreja morna que se achava autossuficiente, mas é espiritualmente cega e indiferente. Uma igreja que dizia: “Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”, mas que, aos olhos de Cristo, era “miserável, e pobre, e cego, e nu” (Apocalipse 3:17).
E, no meio da mais severa repreensão, encontramos uma das maiores revelações de amor de toda a Bíblia. Cristo declara que disciplina porque ama. O objetivo aqui não é punir, mas restaurar para salvar.
O mundo associa amor com permissividade, uma liberalidade sem freios e contenções, mas Cristo associa amor verdadeiro com correção.
O amor verdadeiro de Cristo não nos abandona em nosso pecado, mas nos confronta, disciplina e chama ao arrependimento para restaurar nossa comunhão com Ele.
O amor de Cristo é confrontador; Ele não ignora o pecado daqueles que ama. Ele não tem receio de dizer: “Eu repreendo". Jesus não repreende o mundo aqui, mas aqueles que professam ser a Sua igreja. Em Hebreus 12:6, lemos: “Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho.” A ausência de correção pode indicar ausência de filiação.
Se Deus está tratando você, isso é evidência de que você pertence a ELE. Um pai não corrige o filho do vizinho com a mesma responsabilidade que corrige o seu próprio filho. Ser confrontado por Cristo, o Filho de Deus, o Primogênito e modelo de obediência, é melhor do que ser ignorado por Ele.
A repreensão revela irregularidade em áreas ocultas. Laodiceia pensava estar bem, mas Cristo revelou sua real condição. A mornidão espiritual é perigosa porque cria uma falsa segurança. Em Jeremias 17:9, lemos: “Enganoso é o coração (…)”. O espírito de Deus expõe aquilo que nós preferimos esconder. A luz da repreensão é o início da restauração.
A repreensão visa transformação, não humilhação ou destruição. Cristo não expõe para destruir, mas para restaurar. Em João 16:8, lemos: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado (…)”. Convencer não é condenar, é chamar ao arrependimento. Aceite a correção como um tratamento espiritual. Cristo fere com amor para curar com graça.
Assim como o jardineiro poda os galhos para que a árvore produza mais frutos (João 15:2), a repreensão divina remove o que impede nosso crescimento espiritual.
O amor que "castiga" não é aquele que se deleita ao ver o outro sofrendo, é a imposição de disciplina para correção e restauração. A disciplina divina é a ferramenta do amor para nos trazer de volta ao caminho da vida. A disciplina é universal para os que são amados. Deus não tem filhos preferidos que estejam acima da correção.
Em 1 Pedro 1:16, ELE diz: “Sede santos, porque eu sou santo.” Se você é filho, será disciplinado. Não interprete a disciplina como rejeição. O amor de Deus é inclusivo na graça e na disciplina.
O castigo é pedagógico, não destrutivo. Em Hebreus 12:11, lemos: “Nenhuma correção, ao presente, parece ser de gozo, senão de tristeza; mas depois produz um fruto pacífico de justiça (…)”. Disciplina produz bons frutos. Pergunte: “O que Deus quer me ensinar com isso?” O ouro é purificado pelo fogo. O fogo da disciplina produz o ouro da maturidade.
O castigo revela a seriedade do pecado e não a raiva de Deus contra os Seus filhos. Laodiceia era morna e Deus e nem Cristo, toleram a mornidão espiritual que aceita o pecado. Em Romanos 6:23, lemos: “Porque o salário do pecado é a morte (…)”. Pecado não tratado endurece o coração. Quem leva o pecado a sério experimenta a graça de forma profunda.
O objetivo final da correção divina é despertar zelo espiritual e conduzir ao arrependimento genuíno. O texto diz: “(...) sê, pois, zeloso e arrepende-te.” O zelo é o oposto da mornidão. Laodiceia era morna. Cristo chama os laodiceanos ao zelo. Em Romanos 12:11, lemos: “Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito (…)”. Água morna não serve para refrescar nem para aquecer. Deus não se agrada de corações mornos, mas de vidas inflamadas.
O arrependimento restaura a comunhão. Cristo quer nos conduzir à comunhão, não apenas à correção. Assim como um despertador incomoda, mas evita atraso e prejuízo, a disciplina divina desperta a alma para a realidade espiritual.
Apocalipse 3:19 nos revela três grandes verdades: (1) o amor que repreende; (2) o amor que disciplina; (3) o amor que chama ao arrependimento. Se hoje você sente o peso da correção divina, não endureça o coração.
Porque o maior sinal do amor de Deus não é a ausência de disciplina, mas a presença constante de sua graça restauradora. O amor que corrige é o mesmo amor que salva.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

