Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.
A verdadeira justificação diante de Deus é concedida aos que se humilham sinceramente diante d'ELE, e não aos que confiam em sua própria justiça.
A realidade do tempo em que vivemos nos mostra que "ter" é mais importante do que "ser", onde as aparências pesam mais que a essência.
Constatamos essa desvirtuação da verdade dentro das igrejas, também. Há os que confiam em sua religiosidade exterior e os que se rendem à graça de Deus com um coração quebrantado.
A parábola do fariseu e do publicano culmina neste verso com um veredicto divino chocante: aquele que parecia justo foi rejeitado, e o pecador arrependido foi aceito.
O texto de Lucas 18.14 é uma janela aberta para o coração de Deus. Ele não busca performances religiosas, mas corações contritos. Seu interesse está no homem interior, espiritual.
A justificação não pode ser alcançada pelos méritos humanos, porque é uma dádiva divina, dada a quem reconhece sua culpa e está decidido a não repetir o erro que reconheceu. Deus não olha para nossas credenciais religiosas, mas para nosso quebrantamento (Sl 51.17).
O contraste entre dois homens não é apenas social e religioso, mas espiritual. O fariseu exaltava-se em oração, o publicano nem ousava levantar os olhos aos céus. O fariseu listava méritos; o publicano clamava por misericórdia. Dois homens diante de um juiz: um defende-se com arrogância; o outro, confessa com lágrimas. Quem você acha que terá clemência?
Para o homem religioso, que não era espiritual, a graça que justificou o publicano era um escândalo. A justiça divina opera por critérios opostos aos dos humanos (Is 55.8-9). Muitos que parecem irrepreensíveis aos olhos humanos serão surpreendidos no julgamento divino (Mt 7.22-23). O céu aprova aquilo que a instituição religiosa muitas vezes rejeita.
“... desceu justificado para sua casa, ...” A justificação é um ato judicial de Deus, declarando que o pecador tornou-se um justo. A paz verdadeira vem ao coração de quem recebe este veredicto da graça (Rm 5.1). Um tribunal declara inocente um homem que sabe que não merece. Isso é graça, não justiça. Só desce justificado quem sobe ao altar com o coração em ruínas.
O veredicto para a outra parte que se alimentava do orgulho será a humilhação. O orgulho espiritual é um veneno sutil que separa o homem de Deus. “... qualquer que a si mesmo se exalta …” O fariseu exaltava-se até mesmo em sua oração. A oração pode ser o púlpito da vaidade ou o altar da contrição. Uma flor artificial pode enganar os olhos, mas nunca espalhará perfume.
Quem se firma em sua própria justiça será lançado por terra (Pv 16.18). O orgulho é o pecado que fez cair o querubim da guarda (Is 14.12-15) e faz cair muitos hoje. Balões sobem apenas enquanto estão cheios de vento. Basta um furo, e tudo acaba. Todo altar erguido ao ego será derrubado pela mão de Deus.
O Altíssimo promete exaltar os humildes e nunca exaltar os exaltados. A humildade diante de Deus é o caminho da verdadeira exaltação. “... qualquer que a si mesmo se humilha …” O publicano reconheceu sua indignidade (Lc 18.13). O céu se curva para ouvir quem se curva diante do céu (Is 66.2). Um copo vazio é o único que pode ser cheio.
Não é exaltação diante dos homens que realmente importa, mas diante de Deus (1 Pd 5.6). José foi humilhado por treze anos antes de ser exaltado ao trono. A estrada do trono passa sempre pela cela do quebrantamento.
O padrão divino de grandeza é completamente diferente de como os homens pensam e agem. Deus levanta os que o mundo ignora (1 Co 1.27-29). A árvore mais frutífera é aquela que mais se curva com o peso dos seus muitos frutos. O menor diante dos homens pode ser o maior aos olhos de Deus.
A mensagem de Lucas 18.14 é clara e penetrante: Deus justifica o humilde e rejeita o orgulhoso. A oração sincera de um coração quebrantado tem mais poder diante de Deus do que mil obras feitas com vaidade. O publicano saiu do templo com algo que o fariseu jamais poderia comprar: a paz da justificação. E nós, como sairemos dessa reflexão?
Conta-se que Martinho Lutero, em seus últimos momentos de vida, escreveu em um papel: “Somos mendigos. Esta é a verdade.” E é essa a única postura aceitável diante de Deus. A escada para o céu tem degraus de humildade, e cada passo para baixo é, na verdade, um passo para cima.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

