Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Vivemos em um tempo em que a palavra “amor” foi banalizada. Muitos chamam de amor aquilo que é apenas interesse, emoção passageira ou conveniência pessoal. Porém, quando Paulo escreve aos coríntios, ele apresenta o verdadeiro amor não como sentimento superficial, mas como a expressão do caráter transformado por Deus.
A igreja de Corinto era cheia de dons espirituais, mas pobre em maturidade emocional e espiritual. Havia divisões, egoísmo, competição e orgulho. Então Paulo mostra que o maior sinal de espiritualidade não era apenas a religiosidade expressada por meio de talentos em serviço, mas o amor.
Neste versículo encontramos quatro marcas do amor verdadeiro. Paulo não descreve sentimentos; ele descreve atitudes que eram motivadas pela força espiritual advinda do coração transformado por Deus.
O verdadeiro amor cristão se manifesta mais pelo caráter transformado do que por palavras emocionantes ou ações religiosas que impressionam os homens.
O amor verdadeiro não se comporta indecentemente. O amor de Deus produz comportamento digno, respeitoso e santo. O amor rejeita atitudes vergonhosas para si e para o próximo. A palavra “indecência” traz a ideia de comportamento impróprio, libidinoso ou vergonhoso. Quem ama verdadeiramente é decente, não humilha e nem trata o próximo sem honra. O amor preserva a dignidade do outro.
Há pessoas que dizem amar, mas ferem com palavras e atitudes. O amor cristão se revela verdadeiramente nas ações e não nas palavras vazias. Precisamos aprender que santidade também aparece na maneira como nos relacionamos com as pessoas. Quem ama de verdade nunca transforma o outro em alvo de humilhação.
O amor demonstra honra nos relacionamentos. Jesus tratava as pessoas com dignidade, inclusive os desprezados da sociedade. Ele tocou leprosos, ouviu pecadores e acolheu rejeitados. O amor cristão deve ser visto no casamento, na família, na igreja e até nas redes sociais. O crente não pode tratar pessoas com calúnias, mentiras e boatos que denigram a pessoa alvo. O procedimento do cristão é: “Preferindo-vos em honra uns aos outros.” (Romanos 12.10). Relacionamentos saudáveis são construídos com respeito diário. O respeito é uma das linguagens mais visíveis do amor.
O amor reflete o caráter de Cristo. Jesus nunca tratou Seus discípulos, familiares e amigos com vulgaridade ou desprezo. Respondeu, sim, com firmeza e justiça aos líderes religiosos que exploravam e enganavam o povo (Mateus 23). Seu amor era santo e gracioso. O mundo precisa ver Cristo em nossas atitudes. O testemunho do crente não deve estar apenas na nave da igreja. Muitos crentes anulam seu testemunho pela maneira indecente de agir. O amor transforma comportamento em testemunho.
Uma árvore saudável produz frutos naturalmente. Da mesma forma, um coração transformado e cheio do amor de Deus produzirá atitudes dignas.
O verdadeiro amor também não busca seus próprios interesses. O amor genuíno substitui o egoísmo pelo espírito de serviço. O egoísmo destrói a comunhão e os relacionamentos. O egoísmo coloca o “eu” no centro. Grande parte dos conflitos familiares e ministeriais nasce do ego ferido. Quem vive apenas para si nunca conseguirá amar verdadeiramente. O amor bíblico aprende a ceder, ouvir e servir. Dois cavalos puxando em direções opostas jamais moverão a carroça. O egoísmo paralisa relacionamentos. Onde o egoísmo governa, o amor sufoca.
O amor só pensa em servir. Jesus mostrou isso lavando os pés dos discípulos (João 13). O nosso Senhor assumiu a posição de servo. Amar é servir sem esperar aplausos. É ajudar mesmo quando ninguém percebe. O amor verdadeiro não pergunta: “O que ganho com isso?”, mas: “Como posso abençoar?” Uma vela se consome para iluminar os outros. Assim faz quem ama verdadeiramente. O amor verdadeiro encontra alegria em servir.
O amor imita a renúncia de Cristo. Na cruz, Jesus não buscou Seus próprios interesses, mas entregou-Se por nós. O amor nos ensina a considerar os outros superiores a nós mesmos. Famílias seriam restauradas, igrejas seriam curadas e amizades seriam fortalecidas se aprendêssemos a morrer para o orgulho. O grão de trigo só produz fruto quando morre. Não existe amor verdadeiro sem renúncia.
O mar morto recebe águas constantemente, mas não compartilha nada; por isso não possui vida. Quem vive apenas para si torna-se espiritualmente estéril.
O amor controlado pelo espírito de Deus vence a impulsividade da carne. A ira descontrolada fere profundamente. Paulo fala sobre o perigo das explosões emocionais. A ira da carne pode destruir relacionamentos e produzir feridas difíceis de curar.
O amor aprende a suportar. O amor bíblico é paciente. Ele suporta o deserto, falhas, fraquezas e limitações. Deus é longânimo conosco; devemos aprender a ser longânimos com os outros. Nem todo conflito precisa virar guerra. Às vezes a maturidade está em permanecer calado diante da provocação. O amor prefere restaurar em vez de atender ao orgulho.
1 Coríntios 13:5 nos mostra que o amor verdadeiro não é apenas emoção, é transformação. O amor: não humilha; não é egoísta; não vive dominado pela ira; não alimenta suspeitas malignas.
Esse amor não nasce da natureza humana; ele nasce da ação do espírito santo de Deus no coração do homem.
Hoje, o SENHOR deseja tratar áreas profundas do coração. Talvez exista em você: egoísmo, ira, palavras feridas, desconfiança, orgulho ou falta de perdão.
Mas o amor de Cristo pode restaurar tudo. Quem recebe o amor de Deus aprende também a amar como Deus ama.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

