E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de não me exaltar.
Deus permite que convivamos com “espinho na carne”, não para nos maltratar, mas para nos ensinar e moldar, para que, no espírito, compreendamos que a Sua graça nos basta e que somos totalmente dependentes apenas dELE.
A carne, que em nada se aproveita (Jo 6.63), pode ser maltratada, para que o espírito que traz vida possa realizar a verdadeira cura. Às vezes, Deus não cura a nossa doença física, para usá-la na nossa cura espiritual. Eis o propósito divino no sofrimento.
O apóstolo Paulo, homem que passou por grandes experiências espirituais, inclusive arrebatado em espírito ao terceiro céu (2 Co 12:2-4), também foi homem de grandes sofrimentos.
Neste versículo, ele confessa o “espinho na carne”, algo doloroso, inquietante e persistente.
Aqui aprendemos uma das maiores lições da vida cristã: Deus usa o sofrimento não para nos destruir, mas para nos moldar.
O sofrimento nos lembra da nossa fragilidade e nos impede da exaltação. O perigo da soberba espiritual nos é constantemente lembrado (Provérbios 16:18; Tiago 4:6): “Para que não me exaltasse pela excelência das revelações (...)”
Grandes realizações religiosas podem gerar orgulho se não houver vigilância e sincera busca por um espírito humilde. Deus muitas vezes permite provas para manter-nos humildes.
Como o freio em um cavalo forte, o espinho manteve Paulo cauteloso e submisso a Deus. O Todo-Poderoso prefere nos ferir com humildade do que nos perder pela soberba.
A soberba é inimiga da graça (1 Pedro 5:5): “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” O espinho foi um remédio amargo contra o veneno da vaidade. Cada espinho nos lembra de que não somos nada sem Deus. A soberba nos afasta da graça, mas a humildade nos atrai para ela.
Paulo, mesmo sendo apóstolo, precisava da disciplina divina. O espinho não foi um castigo, mas uma prevenção contra a autossuficiência. O crente precisa aceitar que não há força em si mesmo, mas em Cristo. Um jardineiro, ao podar a árvore, fere seus galhos, mas é para que dê mais frutos. Assim, Deus permite feridas para frutificarmos mais.
O espinho é uma tipologia do pecado e, portanto, uma arma de Satanás, mas até esse aguilhão do inimigo pode ser usado por Deus como uma ferramenta de disciplina. Satanás queria ferir, mas Deus usou para moldar. Como disse Paulo: “(...) um mensageiro de Satanás, para me esbofetear (...)”. O diabo queria destruir Paulo, mas Deus usou para preservá-lo.
Nem todo sofrimento é maldição, em muitos casos pode ser um instrumento divino. José disse a seus irmãos: “Vós bem intentastes mal contra mim; porém, Deus o intentou para bem.” (Gn 50.20). O que Satanás usa para te derrubar, Deus pode usar para te levantar.
O espinho nos lembra da realidade da batalha espiritual (Efésios 6:12). O crente fiel não está isento de ataques malignos. Precisamos da armadura de Deus para resistir aos dardos pontiagudos do inimigo. Cada espinho é também um alerta de que estamos em guerra.
Deus transforma o mal em bem (Romanos 8:28): “Todas as coisas cooperam para o bem (...)”. O espinho foi doloroso, mas útil para o propósito eterno de Deus. Podemos confiar que nenhuma dor é em vão na vida do cristão. Assim como a cruz foi instrumento de maldição para os homens, mas instrumento de redenção nas mãos de Deus, o espinho de Paulo foi mal nas mãos de Satanás, mas bem nas mãos do SENHOR.
O espinho nos leva a experimentar a graça (2 Coríntios 12:9): “(...) a minha graça te basta.” Deus não tirou o espinho, mas deu graça suficiente para Paulo suportar o toque da moldagem. Nem sempre Deus muda a circunstância, mas sempre usa as circunstâncias para nos mudar.
O espinho na carne nos ensina três lições eternas: (1) o espinho nos humilha para que não nos exaltemos; (2) ele é arma de Satanás, mas pode ser uma ferramenta de Deus; e (3) ele nos conduz a compreender a nossa insuficiência e à suficiência da graça divina.
Deus pode não remover o espinho, mas sempre nos dará graça para suportá-lo.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

