Porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que faz; e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis.
Jesus fez uma das mais belas declarações de gratidão e amor ao Pai, reconhecendo em um testemunho público aos fariseus, como Deus cuidava dEle.
Isso ocorreu no momento de grande tensão emocional. Os fariseus estavam acusando Jesus de ter transgredido o mandamento do sábado e de estar cometendo o pecado de blasfêmia, que é contra Deus, pois deduziram convenientemente, a partir de seus planos, que o Filho do homem estava afirmando que também era Deus, como o Pai.
A resposta de Jesus foi claríssima, para qualquer pessoa de bom senso e com o mínimo de discernimento racional entender. Ele disse:
"Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, [...]" (Jo 5.19).
Ao contrário do que Ele mesmo afirmou sobre o Pai, sobre o que Deus pode fazer: "Com homens é impossível; mas para Deus tudo é possível." (Mt 19.26).
Para Deus, o Pai, tudo é possível, mas o Filho não pode fazer nada de Si mesmo. Simples de entender.
Quando Jesus pode fazer alguma obra autônoma? Apenas depois de aprender com o Pai como se deve fazer, é por isso que Cristo afirma categoricamente:
"É o Pai quem faz as obras através de Mim, pois Ele habita em Mim" (Jo 14.10), e "As palavras que falo não são do meu próprio entendimento, mas o Pai que está em Mim é quem me diz o que eu devo falar" (Jo 12.49-50).
Entretanto, sua resposta aos fariseus que atentavam contra sua vida e liberdade vai além de dizer que não podia fazer nada sozinho, por si só, mas somente com a ajuda do Pai.
Jesus explicou para eles que até podia fazer algo sozinho, mas apenas depois do Pai Lhe mostrar como devia ser feito. "Porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que faz, [...]" (Jo 5.20), para que, após esse ensinamento, o Filho possa "fazer igualmente" (Jo 5.19).
Jesus deixa isso tão claro em Sua resposta à acusação infundada dos fariseus, que cita outro exemplo muito claro:
Em João 5.22 e 27, lemos: "E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo;" e "E deu-lhe o poder de também exercer o juízo, porque é o Filho do homem."
Se lermos somente até aqui, entenderemos que Jesus pode realizar o juízo sozinho, autonomamente, criando uma aparente contradição com o verso dezenove (Jo 5.19), onde Jesus afirma que não pode fazer nada de si mesmo.
Entretanto, quando lemos um pouco mais à frente, nos versos 22 e 27, no verso 30, o próprio Jesus confirma que a obra de julgamento a Ele confiada pelo Pai não é feita autonomamente por Ele somente, mas sob a inspiração e orientação do Pai:
"Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. COMO OUÇO, ASSIM JULGO; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas A VONTADE DO PAI que me enviou." (Jo 5.30).
O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo ama o Seu Filho e ensina-O tudo o que necessita. Da mesma forma, faz conosco, porque nos ama e deseja o nosso bem.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

