O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.
O apóstolo Paulo, escrevendo a Tito, resume em poucas palavras a grandeza da obra de Cristo.
Este versículo é como um diamante que brilha em quatro lados: (1) o preço pago, (2) a libertação realizada, (3) a purificação efetuada e (4) a nova identidade concedida. Aqui vemos não apenas o que Cristo fez, mas também para quê Ele o fez.
Enquanto o mundo busca razões para viver, o cristão encontra em Tito 2:14 o verdadeiro propósito da existência: viver como povo redimido, purificado e zeloso para a glória do Senhor.
A obra de Cristo nos chama a viver como um povo redimido, purificado e zeloso de boas obras.
Tudo isso só é possível porque Jesus Cristo se entregou por nós. A salvação é resultado do sacrifício voluntário de Cristo.
O sacrifício de Cristo não foi forçado, mas uma entrega voluntária: "O qual se deu a si mesmo (...)”. Ele não foi forçado; entregou-se por amor (João 10:17-18).
Nossa fé deve se firmar no amor de Cristo, que se deu sem reservas. Como a mãe que se sacrifica para salvar seu filho, assim Cristo se entregou por nós. O Calvário foi a prova suprema do amor voluntário de Jesus, no sublime amor de Deus.
O sacrifício de Cristo foi uma entrega substitutiva. Ele morreu “por nós” — em nosso lugar (Isaías 53:5). O justo tomou o lugar dos injustos. Precisamos viver conscientes do preço da nossa salvação. Chamamos isso de graça, mas não foi de graça, custou muito caro. Isso é como alguém ser poupado da pena de morte porque outro tomou seu lugar. Onde eu deveria estar, Cristo esteve por mim.
Foi uma entrega eficaz. Sua morte não foi em vão: trouxe redenção eterna (Hebreus 9:12) aos que creem. Diferente dos sacrifícios do Antigo Testamento, este foi único e definitivo. Não vivamos como escravos, pois já fomos comprados. A cruz não foi uma tentativa; foi uma vitória consumada.
Jesus não só nos redimiu, mas também nos purificou. O propósito da entrega de Cristo foi libertar-nos do pecado e purificar-nos para Deus. “(...) para nos remir de toda a iniquidade (...)”. Redimir significa comprar de volta, libertar do cativeiro (João 8:34-36). Não devemos ser mais escravos do pecado; vivamos em liberdade. Cristo não apenas abre a porta da prisão, Ele nos convida e nos ajuda a sair dela.
Ele não apenas perdoa, mas também purifica (1 João 1:7-9). Não se contente em ser perdoado; busque ser purificado diariamente. É como uma roupa que não apenas é lavada da mancha, mas também restaurada à brancura original. Cristo não só apaga a culpa, mas também transforma o coração.
Essa purificação não é como um banho que tomamos para desfrutar uma festa transitória, mas para o Deus eterno, como Seu povo puro e especial: “(...) para si um povo seu especial (...)”. Pertencemos exclusivamente a Cristo (1 Pedro 2:9). A vida do homem rendido à verdade não lhe pertence mais, mas a Cristo. O vaso consagrado no templo só podia ser usado para Deus. Somos povo adquirido, não para o mundo, mas para o Senhor.
A vida redimida é marcada por boas obras, não como causa, mas como fruto da salvação. Boas obras como evidência da fé que opera em favor da salvação: "(...) zeloso de boas obras.” A fé verdadeira produz frutos (Tiago 2:17). Examine se sua fé tem sido visível através de atitudes. A árvore não é conhecida pela raiz, mas pelo fruto. O mundo não lê a Bíblia, mas lê a nossa vida.
Não fazemos boas obras para sermos salvos, mas porque já fomos salvos para cooperar com o ministério da salvação (Efésios 2:10). Sirva a Deus e ao próximo por amor e gratidão. Como o filho que obedece ao pai não para ser amado, mas porque já é amado, assim o salvo não trabalha para ganhar o céu, mas porque o céu já está nele.
O zelo por boas obras glorifica a Deus diante dos homens (Mateus 5:16). Cada ato nosso deve refletir Cristo. O crente não vive para chamar a atenção para si, mas sua vida sempre será vista.
Tito 2:14 nos revela que Cristo: (1) Se entregou voluntariamente por nós. (2) Nos redimiu e purificou. (3) Nos chamou a viver zelosos em boas obras.
Nossa vida deve ser resposta prática ao sacrifício de Cristo. Ele não morreu apenas para nos livrar do inferno, mas para nos fazer Seu povo especial, transformado e ativo em boas obras.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

