E, chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.
Vivemos em um tempo em que muitos querem os benefícios do Evangelho, mas poucos desejam assumir o compromisso do discipulado. Muitos querem a coroa da vida, mas muitos rejeitam a cruz da morte do velho homem. Querem a salvação, mas não a rendição. Porém, Jesus nunca escondeu o custo de segui-Lo.
Em Marcos 8, Cristo acabara de prenunciar Sua morte e sofrimento. Pedro rejeitava a ideia da morte de Jesus, porque ainda pensava segundo a lógica humana. Então Jesus chama não apenas os discípulos, mas também a multidão, e estabelece uma verdade eterna: ninguém pode segui-Lo sem morrer para si mesmo primeiro.
O convite de Jesus não é para uma religião superficial cheia de ritos e programações que satisfaçam as emoções carnais dos seus seguidores, mas para uma entrega total a Cristo. O verdadeiro discípulo é identificado por uma vida de renúncia, sacrifício e obediência perseverante a Cristo.
Neste texto, Marcos 8.34, Jesus apresenta duas exigências fundamentais para quem deseja segui-Lo verdadeiramente.
A primeira verdade é que o discípulo precisa negar a si mesmo. Seguir a Cristo exige a morte do ego e a rendição completa da vontade humana. Ou seja, a morte do velho homem. Negar-se a si mesmo é renunciar ao governo do próprio coração. Jesus não disse para o homem melhorar a si mesmo, mas negar a si mesmo. O problema do homem é o “eu” no trono do coração.
Desde a queda, a humanidade vive dominada pelos próprios desejos. Negar-se significa dizer “não” à velha natureza. É abandonar o orgulho, a vaidade, a autossuficiência e os desejos pecaminosos. Paulo declarou em Gálatas 2:20: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim (...)”. Muitos querem Jesus como Salvador, mas não como Senhor. Há pessoas dentro da igreja vivendo guiadas pelo ego, pelas emoções e pela própria vontade. Não se sacrificam em prol dos outros, mas apenas para si mesmas. O discípulo verdadeiro pergunta: “Senhor, o que Tu queres de mim?” e não: “O que eu quero?”
Abraão negou os seus próprios sentimentos ao subir o monte Moriá para entregar Isaque. Ele colocou Deus acima de si mesmo. Enquanto o “eu” estiver vivo no trono da minha vontade, Cristo não governará plenamente a minha vida.
Negar-se a si mesmo é abandonar os desejos carnais. A carne sempre luta contra o espírito. O discipulado é uma batalha diária contra os apetites pecaminosos. Jesus está dizendo que segui-Lo requer disciplina espiritual. O crente precisa mortificar os desejos que afastam o coração de Deus. Romanos 8:13 diz: “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis (...)”. Há desejos que precisam morrer: desejos impuros, ambições carnais, vícios secretos, relacionamentos que afastam de Deus. Não existe discipulado sem santificação. Quem não aprende a dizer não para si mesmo jamais conseguirá dizer sim plenamente para Deus.
Negar-se a si mesmo é viver para a glória de Cristo. O centro da vida cristã não é o homem, mas Cristo. O discípulo verdadeiro entende que a sua vida pertence ao Senhor Jesus. Em 1 Coríntios 10:31: “Fazei tudo para a glória de Deus”. Nosso trabalho, família, ministério e decisões devem glorificar a Cristo. O Evangelho não gira em torno da nossa felicidade, mas da glória de Deus. João Batista declarou: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3:30).
Um escultor foi perguntado como conseguiu criar uma estátua tão perfeita. Ele respondeu: “Eu apenas retirei tudo aquilo que não parecia com ela.” Deus faz o mesmo conosco. ELE remove de nós aquilo que não se parece com Cristo.
A segunda verdade é que o discipulado verdadeiro envolve sofrimento, sacrifício e perseverança. No tempo de Jesus, a cruz não era símbolo religioso; era instrumento de execução, de vergonha e dor. Jesus estava dizendo: “Quem quiser me seguir deve morrer para a sua velha vida de querer o conforto, glória e honras e aceitar as consequências de uma vida justa.”
Há crentes que querem seguir a Jesus sem morrer para o pecado, mas não existe ressurreição sem cruz. Paulo afirmou: “Cada dia morro” (1 Coríntios 15:31). Sem a morte do velho homem, não existe vida abundante no espírito.
A cruz fala de vergonha e rejeição. Carregar a cruz significava caminhar rumo à humilhação pública. O discípulo deve estar disposto a ser rejeitado por amor a Cristo. 2 Timóteo 3:12 diz: “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições”.
Muitos abandonam princípios bíblicos para serem aceitos pelas pessoas. O discípulo verdadeiro prefere perder aplausos humanos a perder a presença de Deus. Os amigos de Daniel se recusaram a se curvar diante da estátua, mesmo ameaçados pela fornalha. Quem carrega a cruz não receberá as glorias do mundo, mas rejeição e desaprovação.
Jesus ainda continua chamando homens e mulheres para o discipulado verdadeiro. O chamado não mudou: negue-se, tome a cruz e siga-Me!
O problema do nosso tempo, como antigamente, é que muitos querem o Cristo da multiplicação dos pães, mas rejeitam o Cristo da cruz.
Hoje, o Senhor nos confronta: estamos apenas admirando Jesus ou realmente seguindo-O? Cristo não procura admiradores ocasionais, mas discípulos comprometidos.
A cruz precede a coroa, e quem segue a Jesus até o fim reinará com Ele eternamente.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

