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Devocional

Paz No Vale Da Morte

Por Fábio Amaro

10 de julho de 2025

Paz No Vale Da Morte

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

A presença do Senhor é suficiente para nos sustentar com Sua paz, que gera em nós a coragem, o consolo e a direção certa, mesmo nos momentos mais sombrios da nossa vida.

Todos nós devemos experimentar a travessia por um vale sombrio em determinados momentos de nossas vidas. Esse vale escuro está representado nas perdas, doenças, ameaças, incertezas ou dores profundas que atingem a alma.

O "vale da sombra da morte" é uma figura de linguagem que descreve os momentos mais difíceis e desafiadores da jornada humana. No entanto, Davi foi usado por Deus para nos revelar sobre uma certeza inabalável: não estamos sozinhos.

Quando o medo quer nos dominar, a mente do servo fiel, a presença de Deus nele, o sustentará. Esse (Sl 23.4) versículo não é apenas uma poesia, é um testemunho. É a declaração de um homem que conheceu o escuro, mas foi consolado e encorajado pelo Pastor.

Um menino atravessava um bosque à noite com seu pai. A escuridão era total, mas ele não tinha medo. Por quê? Porque segurava a mão do seu pai. Da mesma forma ocorre com o servo fiel durante sua passagem pelo vale da escuridão: não andará sozinho.

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte”. A experiência do sofrimento e da escuridão é algo que pode ocorrer na jornada do crente fiel. "Ainda que ..." indica que essa possibilidade pode se concretizar na vida do servo de Cristo, mas isso não é a definição do seu fim.

Ser crente não é receber um seguro garantia contra o sofrimento, mas viver sob uma promessa verdadeira de que o Senhor estará presente com ele nos momentos mais difíceis, como um pastor que guarda e protege suas ovelhas. A fé verdadeira não nos é dada para evitar o vale, mas para atravessá-lo com confiança.

O vale pode parecer profundo e amedrontador, revelando a face da morte, mas é passageiro. O vale é escuro, mas não é eterno. Aquele que disse: "Eu sou a luz do mundo" (Jo 8.12), é o Pastor que estará conosco durante toda a travessia (Mt 28.20).

“Não temeria mal algum, porque tu estás comigo”. A presença forte do Pastor encoraja o homem de fé. A presença do espírito de Deus na mente do homem de fé transforma o terror em confiança e o medo em paz de espírito.

Não sentir o temor dominando o corpo inteiro, não é uma força interior, autônoma, inerente ao ser humano, como ensina a teoria da autoestima, mas vem da fé, pela presença espiritual de Cristo no homem (Gl 4.6). O medo pode até bater à porta, mas na fé o crente é fortalecido para enfrentar os desafios.

O texto bíblico não diz que o Senhor, o Bom Pastor, muda o vale, iluminando-o e espantando para longe todas as ameaças, para que o crente passe sem enxergar ou ouvir qualquer tipo de ameaça, mas diz que Ele muda o homem por dentro, dando-lhe a coragem pela fé. A presença de Deus não muda o vale, mas muda o crente. Deus não ilumina o vale, ilumina o homem.

O Bom Pastor usa a Sua vara e o Seu cajado para proteger o homem interior, consolando-o: “a tua vara e o teu cajado me consolam”. Os instrumentos que o Senhor usa em nosso favor durante a nossa jornada servem para a nossa disciplina e direcionamento.

A vara era comumente usada para proteger o rebanho das feras dos vales, mas também para disciplinar ovelhas rebeldes. As ovelhas que se afastassem da trilha segura, ao passar pelo vale escuro, sofreriam a dor temporária da vara, mas não perderiam as suas vidas. A dor da correção é melhor do que o prazer e a aventura que levam à destruição.

Os mesmos instrumentos que causavam a dor física por alguns instantes, a vara e o cajado, são os mesmos que promovem o consolo: “a tua vara e o teu cajado me consolam”.  A dor muscular que o exercício físico produz na pessoa que se esforça para ter saúde, será compreendida e vista como uma bênção quando os exames médicos comprovarem que as doenças foram evitadas devido ao corpo fortalecido pela disciplina.

Como temos encarado os vales sombrios que a vida tem nos apresentado, com medo ou confiança? Aproveitemos a presença de Deus em nós, enquanto passamos pelo vale, para que depois, já na luz das águas tranquilas, desfrutemos da verdadeira felicidade.

Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.