Segundo as suas pastagens, assim se fartaram; e, estando eles fartos, elevou-se o seu coração; por isso se esqueceram de mim.
A fartura material sem a dependência contínua de Deus conduz o homem ao relaxamento quanto à obediência a Deus, à soberba espiritual e ao esquecimento do Senhor.
O mundo nunca experimentou uma era de abundância como a que vivemos. O conforto, a tecnologia, a medicina e os avanços sociais nos proporcionam uma vida mais fácil do que em qualquer outra época da história.
No entanto, o coração humano, quando se vê cercado de fartura, tende a esquecer de Deus. O profeta Oseias denuncia esse mal antigo e recorrente: Israel, uma vez abençoado por Deus com prosperidade, tornou-se orgulhoso e se esqueceu do próprio Autor de suas bênçãos.
Esta mensagem é para todos nós, não apenas para o antigo povo de Israel, que, cercados de fartura, corremos o risco de esquecer do nosso Deus.
Como a fartura pode enganar o coração?
A abundância de recursos materiais, quando não acompanhada de vigilância espiritual, transforma-se em laço para a alma. Com o passar do tempo, o homem se esquece que Deus é a fonte da fartura e passa a se achar autossuficiente.
Quando se começa a achar que tudo que se tem é fruto do seu esforço, e não da graça de Deus, o coração começa a se desviar. Como uma criança que, após ser alimentada pela mãe, sai correndo para brincar, esquecendo de agradecer, assim é o crente farto que esquece do Senhor. A fartura sem fé é o primeiro passo para a falência espiritual.
“Se fartaram”. A fartura se transformou em satisfação carnal. Eles não apenas se alimentaram, mas se empanturraram. A fartura foi além da necessidade, virou indulgência, conforto, luxo, e isso anestesiou o espírito. Quando o conforto se torna nosso objetivo, a cruz se torna um incômodo.
Como um atleta que, após vencer várias competições, relaxa no treino e perde a forma, o professo crente satisfeito com o mundo se esquece da disciplina espiritual. Quem vive satisfeito com o mundo, inevitavelmente se esquece do céu.
Aqui, nesse momento, cabe-nos uma reflexão: quais áreas da minha vida estão sendo dominadas pelo excesso? Eu estou mais comprometido com o conforto do que com a consagração?
O coração fica soberbo: “ensoberbeceu-se o seu coração”. A consequência natural da fartura mal administrada será a exaltação do coração. Orgulho. Soberba. Um coração que se levanta é um coração que não se curva mais diante de Deus.
O problema da prosperidade não é a riqueza ou a fartura em si, mas o orgulho que ela pode gerar. Como ficamos depois das bênçãos recebidas, mais altivos ou mais humildes? Todo coração que se levanta contra Deus, em breve será abatido por Ele.
Um balão se enche com ar quente até flutuar, mas se subir demais, estoura. Assim é o coração que se eleva devido à fartura: sobe alto, mas está mais perto da ruína do que imagina.
A consequência mais terrível desse cenário é esquecer-se de Deus: “por isso se esqueceram de mim”. O esquecimento de Deus é o clímax do orgulho. Eles já não reconheciam mais o Senhor como fonte de vida. “Esquecer” aqui não é um ato de memória, mas de atitude. Eles deixaram de considerar Deus em suas decisões, cultos, vidas.
Uma vida prática, sem oração, sem dependência, sem santidade, é vida de alguém que já esqueceu de Deus. Um filho pródigo que gasta tudo e só se lembra do pai quando está com fome. Assim é o coração que se esquece.
Deus ainda é o centro das minhas decisões? Ou Ele se tornou apenas uma lembrança ocasional nas dificuldades? Esquecer de Deus não é perder a memória, é abandonar a submissão.
Israel, cercado de bênçãos, esqueceu de Deus. O coração se exaltou. A alma se desviou. Mas Deus não desistiu. O mesmo Deus que abençoa, disciplina. O mesmo Deus que julga, também restaura. A fartura pode ser bênção, mas só se o coração continuar humilde e dependente.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

