Voltar para a lista

Devocional

Permanecer No Amor

Por Fábio Amaro

10 de agosto de 2025

Permanecer No Amor

Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.

O crente verdadeiro é chamado a conservar-se firme no amor de Deus, perseverando em fé e esperança até alcançar a vida eterna.

A epístola de Judas foi escrita em tempos de apostasia, engano e desvio da verdade. E em meio a essa atmosfera sombria, Judas lança uma ordem poderosa: "Conservai-vos no amor de Deus, ..."

Não se trata de um amor emocional, mas de um compromisso ativo, de uma permanência constante e consciente no lugar onde a graça atua, enquanto aguardamos a gloriosa consumação da nossa esperança.

A permanência no amor de Deus deve ser uma responsabilidade diária e intencional do crente. 

"Conservai-vos ..." É um chamado à ação pessoal. Deus nos guarda, mas não nos salvará contra a nossa vontade, à força. ELE nos chama a cooperar com a Sua graça (Fp 2.12-13). É nossa obrigação fazer a nossa parte. Não podemos terceirizar nossa vigilância espiritual.

Como uma lâmpada que precisa ser mantida acesa com óleo, somos chamados a vigiar nossa chama. O amor de Deus é eterno, mas permanecer nele exige vigilância diária.

Essa vigilância espiritual não são ações esporádicas, mas um exercício de disciplina constante, um estilo de vida. Não é isolamento, mas responsabilidade. Alimentar a fé, buscar a comunhão e resistir ao pecado. A fé é como um jardim: floresce quando cuidado, mas morre quando negligenciado. Fé sem disciplina é como uma vela exposta ao vento sem o devido cuidado, pode apagar ao menor sopro.

O verbo “conservar” indica continuidade perseverante. Permanecer é resistir ao tempo, à pressão e às distrações do mundo (Jo 15.9). Muitos começaram bem, mas não permaneceram. A perseverança é uma das grandes virtudes dos salvos. Deus nos ama com perseverança, mas cabe a nós não abandonarmos esse amor.

Permanecer no amor de Deus é viver sob a Sua influência, direção e segurança da graça redentora. “... no amor de Deus …” Não é amar a Deus apenas, mas viver dentro da realidade do amor que Ele tem por nós. Crente que vive na culpa e no medo precisa retornar ao centro do amor divino (1 Jo 4.18).

Não tem combustível mais poderoso para um espírito perseverante do que o amor. O amor de Deus é o solo onde cresce a fé verdadeira e o muro contra a apostasia (Rm 8.39). Satanás tenta nos fazer duvidar desse amor, mas ele é inabalável. Um trem que corre nos trilhos certos não descarrila; o amor de Deus são como esses trilhos. 

Permanecer no amor é também rejeitar tudo que o contradiz. Não se pode amar o mundo e permanecer no amor do Pai (1 Jo 2.15). A santidade não nasce do medo, mas do amor pelo Pai. O amor de Deus não é uma desculpa para pecar, mas um impulso para obedecer.

“... esperando a misericórdia …” Esperar não é duvidar, é aguardar com fé a manifestação final da salvação (Tt 2.13). Nossa esperança não está neste mundo; está em Cristo que virá. 

O destino final é a vida eterna e não uma vida temporária de riquezas mundanas. “... para a vida eterna.” Todo esforço de permanecer no amor de Deus culmina em um galardão eterno e glorioso. Não vivemos pelo agora, mas pelo que é eterno, imortal e incorruptível (2 Co 4.17-18). Um atleta que não desiste, mesmo correndo com dores, suporta tudo isso por algo muito maior que justifica o seu sacrifício.

Judas 1.21 é mais que um apelo, é um mandamento à perseverança. É um chamado ao avivamento contra a letargia e ao relaxamento espiritual. A vida cristã é uma jornada entre o amor presente de Deus e a esperança futura da glória. E no meio disso, somos chamados a permanecer.

Você está conservando-se no amor de Deus? Ou está se distraindo com os amores passageiros deste mundo? Sua vida revela uma espera ativa pela vinda de Cristo?

Quem permanece no amor viverá na glória; quem espera pela misericórdia encontrará a eternidade.

Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.