Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
"Para corrigir nossos pensamentos, é preciso confessar que todos os nossos aprendizados são adquiridos dos mestres." (René Descartes)
René Descartes (1596-1650) foi um filósofo, matemático e cientista francês, amplamente considerado o pai da filosofia moderna e da matemática moderna. Ele é mais conhecido por sua frase "Cogito, ergo sum" (Penso, logo existo), que é um dos pilares do racionalismo.
Muita gente, inclusive os cristãos, se baseia em trechos isolados ou descontextualizados de grandes pensadores e filósofos como Descartes.
A Palavra de Deus não é contra o bom conhecimento, mesmo que o autor dele não seja um religioso que confesse a mesma fé que a sua. Paulo orientou: "Examinai tudo, retende o que é bom." (1Ts 5.21).
O gravíssimo problema que enfrenta a igreja cristã secularizada do presente século é que está sendo induzida a pensar que o conhecimento acadêmico ou o excesso das informações midiáticas gera entendimento nas pessoas. Esse tipo de conhecimento humano tem sido confundido com a palavra "conhecimento" da Bíblia, que está quase sempre ligada ao entendimento espiritual.
A maioria dos cristãos, quando não consegue entender um verso bíblico, pensa logo em fazer um curso teológico, que na maioria das vezes está ligado a uma determinada denominação que vai puxar a brasa para sua sardinha, ensinando doutrinas que vêm do entendimento humano. Às vezes certo e às vezes equivocado.
Paulo, o apóstolo extremamente culto, mas sobretudo espiritual, compreendia bem os dois lados dessa moeda. A cultura dos homens religiosos judeus, de onde havia saído, disse ele que os tinha como escória ou refugo, por causa do aprendizado simples e espiritual que havia recebido de Cristo.
"E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo." (Fp 3.8)
O conhecimento dos homens é facilmente assimilado pelos mestres, nos livros, nas escolas ou através dos meios de comunicação, mas o conhecimento espiritual, que é a maior necessidade dos verdadeiros servos de Cristo, só pode ser assimilado no espírito.
Se o homem não possuir o espírito de Cristo nele (Gl 4.6), se a sua mente não for a morada do espírito santo de Deus, jamais poderá compreender a profundidade do conhecimento de Deus, que é o tesouro mais valioso do universo (Cl 2.2-3).
O discernimento espiritual que faz o homem entender a vontade de Deus em sua vida é tão necessário ao homem santo quanto é o oxigênio para o cérebro e para manter o homem vivo. Sem o discernimento espiritual de Deus, o homem não entra para a vida eterna.
O entendimento no espírito é vivificante. O religioso acostumado à letra morta das Escrituras Sagradas, preso à superficialidade da escrita, sem se aprofundar na mensagem espiritualmente implícita, ainda não conhece a vida.
O leitor superficial da Bíblia, mas sem entendimento espiritual, se tornará um religioso cego, guia de cegos, como eram os fariseus que não entendiam os ensinos espirituais de Jesus.
Somos convidados a não cometermos os mesmos erros cometidos pelos religiosos do passado.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

