Não temos nós todos um mesmo Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que agimos aleivosamente cada um contra seu irmão, profanando a aliança de nossos pais?
O livro de Malaquias foi escrito em um período em que o povo de Israel estava espiritualmente frio e moralmente comprometido. Embora tivessem retornado do exílio e reconstruído o templo, muitos haviam abandonado os princípios de Deus em suas atitudes e relacionamentos.
Nesse versículo, o profeta faz três perguntas profundas aos líderes religiosos, em especial aos sacerdotes, mas confrontava o coração de todo o povo: (1) Não temos todos um mesmo Pai? (2) Não nos criou um mesmo Deus? (3) Por que somos desleais uns com os outros?
Essas perguntas revelam que o problema espiritual do povo estava refletido também na forma como tratavam uns aos outros, pois o mau exemplo dos líderes sacerdotes estava refletindo no povo.
Em Malaquias 2.1, a mensagem é claramente dirigida à liderança religiosa: "Agora, ó sacerdotes, este mandamento é para vós." Se a liderança não dá o bom exemplo, o povo se perde sem a devida referência de como proceder com justiça, bondade e amor.
Eles precisavam reconhecer o SENHOR como Deus e Pai de todos, extirpando do meio do povo a acepção de pessoas e voltando a atender a viúva, o órfão e o estrangeiro em suas necessidades básicas (Malaquias 3.5), sem criar grupos de privilegiados por interesses.
Deus é o Pai de seu povo. Não um pai no sentido biológico, mas em um sentido mais belo e profundo. ELE é um afetuoso, cuidador e protetor. Reconhecer Deus como Pai estabelece um relacionamento que deve moldar nossa identidade e nossas atitudes.
Deus é o Criador de todos. O profeta pergunta: “Não nos criou um mesmo Deus?” Isso lembra ao povo que todos são obra das mãos de Deus, mesmo tendo sido gerados por um homem e uma mulher. Em Salmos 100:3, lemos: “Sabei que o Senhor é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos.”
Quando entendemos que Deus é nosso Criador, reconhecemos que nossa vida pertence a ELE. Uma obra de arte reflete o artista que a criou. Assim também a criação reflete o poder e a sabedoria de Deus. Nossa identidade deve estar fundamentada em Deus, não nas circunstâncias. Quem reconhece Deus como Criador aprende a viver para a glória do Criador.
Deus é o Pai que estabelece relacionamento; não é uma pessoa que Se isola por Se achar importante demais e poderoso demais para não Se "misturar" com pobres mortais. A ideia de Deus como Pai revela proximidade, cuidado e relacionamento. Em Isaías 64:8, lemos: “Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai.”
O relacionamento com Deus não é apenas religioso, é também relacional. Um bom pai cuida, protege e orienta seus filhos. Precisamos viver conscientes de que pertencemos à família de Deus. Quem reconhece Deus como Pai aprende a confiar em seu cuidado.
Deus deseja unidade com o Seu povo e entre Seu povo. Se todos têm o mesmo Pai, então todos fazem parte da mesma família espiritual. O relacionamento com Deus deve produzir unidade entre as pessoas. A fé verdadeira promove amor, respeito e comunhão. Em uma família saudável, os membros cuidam uns dos outros. Quando reconhecemos o mesmo Pai, aprendemos a viver como irmãos.
Imagine uma família em que todos os filhos reconhecem e respeitam o pai. Naturalmente haverá respeito e união entre eles. Assim também deve ser no povo de Deus. A deslealdade entre as pessoas desagrada a Deus. Quando o povo de Deus vive em deslealdade e injustiça, o relacionamento com Deus é prejudicado.
A deslealdade rompe relacionamentos. O profeta pergunta: “Por que seremos desleais uns para com os outros?” Deslealdade envolve traição, injustiça e falta de compromisso. Deus deseja que Seu povo viva com integridade nos relacionamentos. Relacionamentos precisam ser construídos sobre confiança. Onde existe deslealdade, a comunhão começa a se quebrar.
Deus condena a injustiça entre Seu povo. O contexto de Malaquias mostra problemas como infidelidade, injustiça e corrupção moral. Principalmente dos líderes, os grandes, para com o povo simples, os pequenos. Deus se importa profundamente com a forma como tratamos uns aos outros. A fé verdadeira produz justiça e misericórdia.
Malaquias 2:10 nos lembra de três verdades fundamentais: (1) Deus é o Pai que criou e chama Seu povo para viver em unidade; (2) a deslealdade entre as pessoas desagrada ao SENHOR; (3) Deus chama Seu povo a viver em fidelidade e integridade. Se temos um mesmo Pai e fomos criados pelo mesmo Deus, então devemos viver como uma verdadeira família espiritual.
A pergunta final que o texto nos faz é profunda: como estamos tratando aqueles que fazem parte da família de Deus? Quem reconhece Deus como Pai aprende também a viver com amor, fidelidade e respeito pelos seus irmãos.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

