E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não percebes a trave que está no teu próprio olho?
Não é muito difícil compreender porque é mais fácil enxergar os defeitos do outro do que os próprios. Todo homem tem dificuldade de olhar para si mesmo e se reprovar em algum ponto.
Para se sentir superior aos seus semelhantes, o homem prefere o caminho mais curto. Esse atalho é encontrar um defeito no próximo. Diminuindo o outro, o indivíduo se sente superior.
Essa, portanto, não é uma atitude que seja inspirada pelo espírito de Cristo. Os servos de Cristo fazem o contrário, pois ao receberem glória da parte de Deus ou dos homens, reconhece sua pequenez e limitações, repassando toda glória para o Altíssimo.
Jesus quando exortou o povo sobre como proceder em relação ao próximo, falou sobre o erro de enxergar um argueiro dentro do olho do irmão e se esquecendo de tirar a trave que está tampando toda sua visão.
Ora, para que alguém enxergue um argueiro no olho de outra pessoa é necessário ser muito íntimo e se interessar demais pela vida do outro. Isso não tem nada a ver com a grande capacidade de observação, mas uma verdadeira invasão de privacidade, além da falta de respeito e amor verdadeiro, que se importa com o bem-estar do outro.
Não que seja proibido doutrinariamente alguém enxergar um argueiro no olho de um irmão e ajudá-lo a retirar, evitando um dano a visão., mas aqui tem outra conotação, uma visão espiritual. Jesus usa as coisas físicas para falar de assuntos espirituais.
Um argueiro equivale a um pecado, vício ou defeito no caráter que contribui para que a pessoa não enxergue com muita clareza a vontade de Deus. Uma trave equivale a pecados graves que impede a pessoa de enxergar qualquer ponto mínimo da verdade. Logo, sem nenhuma condição de ajudar alguém.
Se alguém quer ajudar outras pessoas a verem a verdade, através de ensinamentos, revise primeiro todas as suas crenças; Se deseja ajudar pessoas a abandonar os seus pecados, se livre dos seus primeiros, para que tenha autoridade quando for ensinar e ajudar.
Quem não faz esse santo exercício espiritual, vai acabar tropeçando no seu próprio orgulho e vanglória, descendo pela vala da falta do conhecimento de Deus, que SE revela apenas aos humildes de espírito.
Adão viu um argueiro no caráter de Eva e se esqueceu do seu, quando conheceram o pecado. O Senhor perguntou a ele: “Quem te mostrou que estavas nu? (Gn 3.11). Essa primeira pergunta feita pelo Senhor a Adão não foi respondida.
Adão só respondeu a segunda pergunta: “Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? (Gn 3.11). A sua resposta não é o resultado de um olhar para si mesmo, mas olha para a sua companheira, próxima: “A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi” (Gn 3.12). Adão, covardemente, colocou a culpa no Senhor (que Tu me deste) e na sua própria mulher – Eva.
O pecado havia colocado uma trave na visão de Adão, ao ponto dele não conseguir enxergar a preciosa dádiva do livre-arbítrio que o Senhor lhe dera. Adão só conseguia enxergar Eva como a culpada de tudo, e sem se perceber acusava o Senhor como o principal culpado por ter lhe dado a mulher e, provavelmente, por ter permitido aquilo tudo.
De Adão até os dias de hoje a pergunta do Senhor continua silenciosamente guardada nos corações dos pecadores. O homem de hoje tem dentro de si toda essa herança genética da maldade, e estar piorando, pois se sente rico e autossuficiente. “…e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Ap 3.17).
Para não olhar para sua própria desgraça, prefere olhar para a nudez dos outros. Todos estamos nus e carecemos que Cristo nos revista com Suas vestes de justiça: “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências” (Rm 13.14).
A solução não é olhar para o pecado do irmão, pois isso não vai limpar os nossos pecados, mas para Cristo, nosso advogado e mediador.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

