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Devocional

União E Reconciliação

Por Fábio Amaro

06 de julho de 2025

União E Reconciliação

Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.

A vida cristã é marcada por relacionamentos restaurados, e isso só é possível quando aprendemos a suportar e perdoar uns aos outros, como Cristo fez conosco.

Geração após geração, o mundo sempre foi marcado por mágoas, divisões, disputadas e relacionamentos cancelados. No entanto, a Palavra de Deus nos chama a um caminho radicalmente diferente: o caminho do perdão e da tolerância.

Colossenses 3.13 não é uma sugestão, é um imperativo sagrado: perdoar como Cristo nos perdoou. Essa é a marca do verdadeiro discípulo.

Esse verso nos apresenta três fundamentos essenciais para uma vida relacional saudável e espiritualmente madura:

1. Temos o dever de suportar os nossos irmãos: "Suportando-vos uns aos outros ...” A maturidade cristã se manifesta na capacidade de suportar os outros com graça e paciência.

Suportando com longanimidade é o mandamento. “Suportar” não é apenas “tolerar”, mas é carregar junto, ser paciente diante das fraquezas alheias.

Em vez de desistir das pessoas, somos chamados a caminhar ao lado delas, mesmo quando nos cansam. Como um alpinista que ajuda seu companheiro ferido a subir a montanha, mesmo sabendo que isso retardará o seu progresso. Quem aprende a suportar com paciência, constrói pontes onde o mundo constrói muros.

A expressão "suportar" implica em convivência mesmo com divergências. A igreja é um corpo composto por membros diferentes (cf. 1Co 12.12-27). Suportar é honrar essas diferenças. Um coral só é belo quando vozes diferentes entoam a mesma canção. A unidade cristã não é uniformidade, é harmonia na diversidade.

2. Temos o dever de perdoar com plenitude: “... perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro ...” O perdão cristão é incondicional, contínuo e transformador, pois espelha o perdão de Cristo. Não é esperar o pedido de desculpas, é tomar a iniciativa de perdoar. A mágoa aprisiona o ofendido mais do que o ofensor. 

O perdão não apaga o passado, mas limpa o caminho para o futuro.

O perdão, a nível espiritual, precisa ser reflexivo: “... assim como Cristo vos perdoou ...” O padrão do perdão não é humano, é divino. Perdoar como Deus perdoa, é dar de graça aquilo que foi recebido pela graça. Basta lembrar como e o quanto Deus nos perdoou em Cristo, e usar isso como régua para medir nossa disposição em perdoar.

3. O modelo perfeito de como perdoar nos foi dado por Deus, o Pai, Jesus Cristo, nosso perdoador. Cristo é o padrão, a fonte e a motivação para o perdão entre os irmãos: "... assim como Cristo vos perdoou ...”. 

O perdão de Cristo foi imerecido, sacrificial e total (cf. Efésios 1.7). Todos nós somos chamados a replicar o que dEle recebemos. Um espelho não tem luz própria, mas reflete o que recebe, assim deve ser nosso perdão. O verdadeiro discípulo se reconhece no exemplo deixado por Cristo, aplicando isso em seus relacionamentos.

O exemplo que Cristo nos deixou não é legalista ou intimidador, mas que constrange o coração do homem espiritual. O apóstolo Paulo não chama a atenção dos crentes para si, citando como ele perdoava, mas aponta para Cristo, o modelo e padrão a ser imitado.

A beleza do evangelho é que Ele não nos pede o que Ele não fez primeiro. Perdoar é imitar a Cristo em sua glória mais profunda. Como um artista que segue fielmente o traço do mestre, perdoar é seguir o contorno da graça divina. Cristo não apenas exige que perdoemos, Ele capacita e encoraja o perdoador.

O perdão não é uma sugestão, é o mandamento que une a comunidade dos redimidos. Ele é o alicerce da vida cristã e a prova mais concreta da presença de Cristo em nós.

Há alguém que você precisa perdoar? Ou alguém a quem precisa pedir perdão? A hora é agora. O céu nos deu o exemplo, resta-nos segui-lo.

Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.