Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.
Um grande líder não perde a sua autoridade, posto, status quo ou reputação por realizar uma tarefa que os seus subordinados também sabem realizar.
Um diretor de uma grande empresa não terá a sua reputação manchada ou será desrespeitado por seus comandados, porque resolveu limpar a sua mesa do seu escritório.
Um coronel, comandante de um batalhão, não perderá sua autoridade ou posição hierárquica por sentar-se a uma mesa para almoçar juntamente com tenentes, sargentos e soldados.
Tampouco perderá suas insígnias ou deixará de usar suas divisas porque ajudou um soldado que se acidentou, servindo-o e, lavando as suas feridas, para recuperar a sua saúde.
Aquele que serve a Cristo, em espírito, jamais deixará que os títulos ou postos que os homens lhe deram impeçam-no de servir aos seus irmãos que não possuem títulos ou postos de honra, segundo as honras e glórias dos homens.
Quando lavou os pés de Pedro e dos demais discípulos, quando já os havia investido do apostolado, Jesus deixou bem claro que aquela ação não fazia com que Ele deixasse de ser o Senhor ou o Mestre deles.
Servir ao próximo não diminui ninguém diante de Deus, pelo contrário, o homem que serve com amor e verdade é honrado e glorificado pelo Altíssimo diante de todos. Assim é como ELE exerce a Sua perfeita justiça.
Na ceia da páscoa, quando o Senhor Jesus lavou os pés dos apóstolos, além de ensiná-los sobre o princípio da humildade, uma condição espiritual e impositiva para os participantes do reino de Deus, também trouxe outra exigência importante.
Que somente Ele era Senhor e Mestre sobre os homens. Como podemos concluir esse ensinamento das palavras de Jesus?
"Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros." (Jo 13.14).
Ao dizer que eles deveriam "lavar os pés uns dos outros", e não: "lavem os pés dos seus discípulos", ou "dos seus inferiores", etc, estava igualando todos os discípulos em uma mesma "posição hierárquica".
Pedro não deveria se sentir superior a Tiago, nem Filipe a Natanael ou André em relação a Simão, o Zelote. O espírito de superioridade do mundo é completamente contrário à sã doutrina e à verdade que vem de Deus.
"Uns dos outros" é uma clara expressão de igualdade entre eles. O "um" lava os pés do "outro", como o "outro" lava os pés do "um".
Em um cenário onde todos se sentem iguais e ainda são motivados a servirem aos outros, jamais o espírito de superioridade, que é influenciado diretamente pela carne, renascerá para criar disputas e dissenções.
Na comunidade onde há serviço com humildade é o ambiente favorável para o crescimento do espírito de santidade e retidão coletiva. Essa foi, desde sempre, a vontade de Deus para com o Seu povo.
Deus e Cristo Jesus sejam louvados! Amém.

